ACUPUNTURA APLICADA EM PACIENTES COM PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA

ACUPUNTURA APLICADA EM PACIENTES COM PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA
0 28/07/2016

 Autor: Débora Soraia de Faria Neves

 

 

RESUMO

 A Paralisia Facial Periférica é caracterizada pela interrupção da informação motora do nervo facial, VII par craniano, em qualquer ponto do seu trajeto para a musculatura facial uni ou bilateral. Geralmente, atinge pessoas entre 15 e 45 anos de idade e é estimada mundialmente em 20-25 casos por 100.000 habitantes por ano, havendo uma ligeira predo­minância do gênero feminino, sendo esta prevalência au­mentada em gestantes (43 casos por 100.000). A conduta terapêutica da paralisia facial periférica depende da evolução clínica e das manobras semiotécnicas de diagnóstico.  Para a Medicina Tradicional Chinesa, paralisia facial se deriva de uma obstrução na circulação de Energia e Sangue nos meridianos Yang, que se estendem pela região facial devido a invasão dos fatores patógenos e exógenos de Vento-Frio nos mesmos. O objetivo desta pesquisa foi o de realizar uma revisão na literatura sobre o tema em questão, além de mostrar o potencial da acupuntura aplicada em pacientes com paralisia facial periférica.

Palavras-chave: paralisia facial periférica, acupuntura, medicina chinesa

 

ABSTRACT

The Peripheral Facial Palsy is characterized by the interruption of motor information from the facial nerve, cranial nerve VII, at any point on your path to uni or bilateral facial musculature. Generally, strikes people aged 15:45 years of age and is estimated worldwide in 20-25 cases per 100,000 inhabitants per year, with a slight predominance of the female gender, and this increased prevalence in pregnant women (43 cases per 100,000). The treatment of peripheral facial paralysis conduct depends on the clinical course and the semiotécnic diagnostic maneuvers.  For traditional Chinese medicine, Bell’s palsy if derives from a blockage in the flow of Energy and blood in the meridians Yang, which extend the facial region due to invasion of exogenous pathogens and factors of Wind-Cold. The objective of this research was to carry out a review of literature on the topic in question, in addition to showing the potential of acupuncture applied in patients with peripheral facial paralysis

 Keywords: peripheral facial palsy, acupuncture, Chinese medicine

 

1- INTRODUÇÃO

 

A expressão facial ocorre a partir de uma série de respostas emocionais de acordo com as circunstâncias e de forma particular em cada ser humano. Embora a simetria da musculatura facial seja de grande importância para o convívio social, o déficit funcional dessa musculatura tem sido uma das principais consequências incapacitantes em indivíduos acometidos pela Paralisia Facial Periférica (PFP).

A PFP é caracterizada pela interrupção da informação motora do nervo facial, VII par craniano, em qualquer ponto do seu trajeto para a musculatura facial uni ou bilateral. Na paralisia periférica, as lesões geralmente ocorrem na face ou nas proximidades. As manifestações da paralisia periférica não estão necessariamente associadas a outros sintomas, e pode, por si só constituir a única manifestação da doença.

Os ramos do nervo facial estão entre fibras nervosas dentro de um feixe de fibras do sétimo nervo craniano, inervando um único conjunto de músculos faciais, chamados músculos dérmicos, responsáveis pelas expressões faciais através de padrões da atividade muscular combinados. Os músculos inervados pelo nervo facial são (Ver Anexo: Fig: 1):

  • Frontal: eleva a sobrancelha;
  • Corrugador do supercílio: traciona as sobrancelhas para juntá-las, como ao franzir a testa;
  • Orbicular dos olhos: fecha as pálpebras;
  • Prócero: traciona medialmente a sobrancelha para baixo;
  • Nasal: dilata as narinas;
  • Mirtiforme: abaixador do septo nasal;
  • Levantador do lábio superior e dilatador da asa do nariz: eleva medialmente a prega nasomedial e nasal;
  • Levantador do lábio superior: eleva o lábio superior;
  • Levantador do ângulo da boca: traciona a boca para cima e em direção a linha média;
  • Zigomático menor: eleva o lábio superior;
  • Zigomático maior: eleva os cantos da boca;
  • Bucinador: traciona o canto da boca para trás e comprime a bochecha;
  • Risório: realiza o sorriso com tração lateral;
  • Abaixador do lábio inferior: fecha e comprime os lábios:
  • Mentoniano: traciona a pele do queixo para cima;
  • Orbicular da boca: eleva o canto da boca;
  • Abaixador do ângulo da boca: traciona as comissuras labiais para baixo e lateralmente;
  • Platisma: traciona para baixo os cantos da boca.

A classificação da PFP depende exclusivamente do local onde houve a lesão. Pode ocorrer devido a episódios traumáticos, neoplásicos, infecciosos como os provocados pelo vírus Herpes tipo I, e as chamadas idiopáticas ou paralisia facial de Bell, que acomete mais da metade (60%) dos indivíduos (JANUÁRIO, 2011; TANAKA, 2012).

Geralmente, atinge pessoas entre 15 e 45 anos de idade e é estimada mundialmente em 20-25 casos por 100.000 habitantes por ano, havendo uma ligeira predo­minância do gênero feminino, sendo esta prevalência au­mentada em gestantes.  Na literatura ocidental, a incidência de Paralisia Facial Periférica varia em torno de 13,5 a 32 casos por 100.000 habitantes.

Dentre os tratamentos mais utilizados na PFP es­tão os corticosteroides, agentes antivirais, descompressão cirúrgica, fisioterapia e acupuntura, no entanto, ainda há muitas controvérsias a respeito das intervenções terapêu­ticas, assim como da decisão clínica de tratar ou não os pacientes, já que um grande percentual deles se recupera sem nenhum tratamento (BARROS; BARROS; NASCIMENTO; 2012; PARAGUASSÚ; SOUSA;  FERRAZ,  2011; SILVA, et al, 2012).

A literatura demonstra vários efeitos benéficos da acupuntura no tratamento da PFP. Esta técnica visa o tratamento das enfermidades pela aplicação de estímulos através da pele, com a inserção de agulhas em acupontos. Trata-se de uma terapia reflexa em que o estímulo de uma área age sobre a outra. Acredita-se que os pontos de acupuntura estimulem o sistema nervoso central a liberar substâncias químicas para os músculos, medula espinhal e cérebro, através de três mecanismos principais: condução de sinais eletromagnéticos, ativação de sistemas de opióide e mudanças na química cerebral. Estes mecanismos estimulam a liberação de neurotransmissores e neuro hormônios capazes de interferir na sensibilidade e função motora.

Foi realizada uma revisão descritiva em banco de dados do Scielo e Google acadêmico, assim como em Anais de Congresso, livros, teses e trabalhos de conclusão de curso, nas bibliografias disponíveis e atualizadas da língua inglesa, portuguesa e espanhola para material de pesquisa. Utilizaram-se as palavras chave: paralisia facial periférica, acupuntura, medicina chinesa.

Os critérios de abordagem envolveram os trabalhos relacionados à paralisia facial periférica dos anos de 2007 a 2015.

Na PFP, considera-se que o tratamento com acupuntura aumenta a excitabilidade do nervo, promove a regeneração das fibras nervosas, melhora a contração muscular, a circulação sanguínea e a nutrição tecidual (BARROS; NASCIMENTO, 2012).

2 – PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA

Para a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), Paralisia Facial se deriva de uma obstrução na circulação de Energia e Sangue nos meridianos Yang, que se estendem pela região facial devido a invasão dos fatores patógenos e exógenos de Vento-Frio nos mesmos. Ao atacar a parte superior, a necessidade de unir-se a outros fatores patógenos para agredir o organismo, a facilidade de deprimir o Yang e a capacidade de contrair-se e causar Estagnação, provoca uma desnutrição dos tecidos dos músculos faciais com a aparição da enfermidade e sua deficiência motora fundamentalmente.

A PFP é proveniente da invasão dos Jing Luo (Meridianos e Colaterais) da face pelo Vento-Frio que pode vir de uma deficiência constitucional (deficiência de Energia-Fonte). Outra causa energética é a ascensão do Yang do Fígado que provoca distúrbio no fluxo de QI e de Xue levando a uma má nutrição dos músculos e tendões, o que compromete a contração e o relaxamento. Na fase inicial da PFP ocorre síndrome de Estagnação ou de Deficiência com Estagnação dos Meridianos da face. Os sintomas de Estagnação são causados pela obstrução dos Meridianos e Colaterais, pelo Vento-Frio, Calor-Umidade ou Mucosidade do Fígado e da Vesícula Biliar, ou lesão dos Meridianos e Colaterais na face pela Estagnação do Gan QI (Energia do Fígado), resultando em estase de QI e Xue.  A deficiência com Estagnação consiste em Deficiência de QI e Xue com resistência corporal diminuída e invasão de Colaterais pelo Vento-Frio (ou Vento-Calor ou Vento-Umidade). A condição emocional pode ser um fator importante no desencadeamento da paralisia facial. A raiva intensa aguda gera Fogo de Fígado, que sobe, afetando o Xin-Shen (Coração e Mente). O nervo facial é o responsável pela mímica facial, a expressão das emoções. Se a raiva for acompanhada de sentimentos que não se pode expressar momentaneamente, este conflito entre o expressar pode paralisar a metade facial energeticamente mais comprometida no momento ao proporcionar a penetração do Vento-Frio (NAKANO; YAMAMURA, 2008).

Jeremy Ross descreve que na MTC, a paralisia facial, com desvio da boca ou do olho, está associada com a invasão dos canais da face pelo Vento Frio, que leva à Estagnação de QI e de Xue, resultando em nutrição insuficiente dos músculos. A invasão inicial do Vento Frio pode ser facilitada pela Deficiência de QI e de Xue. (ROSS, 2003)

O tratamento é baseado principalmente no uso de pontos locais no lado afetado com método de harmonização e talvez moxa, com mais pontos distais usados bilateralmente.

  • pontos locais: VB14, TA23, B2, ID18, E2, E3, E4, E6, E7. (eliminação de vento interior e exterior).
  • pontos distais: IG4, E36, VB20, TA5, TA17 (eliminação do vento).

Nakano apresentou em Congresso, um trabalho que avaliou 10 casos de paralisia facial aguda com evolução de 1 a 10 dias, 6 homens e 4 mulheres, idades variando de 23 a 73 anos de idade. Já no primeiro dia da avaliação foram submetidos ao tratamento de eletroacupuntura em tonificação durante 20 minutos nos pontos E-7 e E-4 (dispersa vento, vento-calor, frio do Yang Ming), B-1 (expele vento; clareia calor; cessa a dor) e Tai Yang. Pontos gerais utilizados foram VB-20 (exterioriza energias perversas; dispersa vento, vento-frio, vento-calor e frio), TA-17 (relaxa músculos e tendões; dispersa vento e calor perverso), IG-4 (libera calor perverso interno para a superfície do corpo; dissipa vento, vento-frio e vento-calor), F-3 (dispersa umidade-calor; relaxa tendões e músculos). Todos os 10 pacientes tiveram uma recuperação completa da paralisia após no máximo 4 sessões de acupuntura. 3 pacientes (30%) apresentaram melhora de 100% após uma única sessão, 10 pacientes (100%) apresentaram melhora de 70 a 100% do quadro após duas sessões, sendo que 7 pacientes (70%) apresentou melhora de 90 a 100% após a segunda sessão (NAKANO, 2014) (Ver: Anexos – Fig. 2, 3, 4).

Já Zheng, Li, Chen em seu trabalho, selecionaram os acupontos ST4, ST7, ST6, CV24, LI20, SI18, TE17, GB14, ST2, GB20, GV20, EX-HN4 e LI4. Além de estimulação manual ou eletroacupuntura combinado com moxabustão. Tratamento com duração de 2 a 5 dias, uma vez por dia, 10 vezes. Melhora conceituada dos casos (ZHENG; LI; CHEN, 2009).

Sola tratou uma paciente de 39 anos com paralisia facial bilateral, e o objetivo de seu estudo foi melhorar as deficiências neurológicas apresentadas pela paciente, a expressão facial, os transtornos da deglutição, fonação, dificuldade respiratória e alterações musculoesqueléticas. O método utilizado foi de 10 sessões, com 20 minutos de duração. Os pontos utilizados foram: B13, B17, B20, B23, para tonificar Rim, Baço, Pulmão e Sangue, B46, B49, B52 para ajudar no aspecto emocional, F3 e F8 tonificar o Yin do Fígado, VB39 ponto de medula, IG4 ponto geral, BP9, BP5 e E40 eliminar Fleuma, Umidade e sedar o Yin do Baço. Como pontos locais para paralisia facial foram utilizados: E4, E6, ID18 e VB14. Os resultados obtidos mesmo se tratando de um único caso clínico, apresentaram-se satisfatórios, desde a primeira sessão a paciente apresentou melhora na mímica facial, depois de 3 sessões começaram a diminuir as dores articulares, os ruídos e as secreções respiratórias. A partir da 6ª sessão a paciente começou a movimentar a comissura labial e nasal da hemiface afetada, à esquerda. (SOLA, 2008)

He avalia a eficácia da Acupuntura em relação aos medicamentos, onde participaram 130 pacientes com idades entre 8 a 75 anos, sendo divididos em dois grupos: experimental e controle. No grupo experimental, o tratamento consistiu em inserir até 12 agulhas (30×45 mm) em vários pontos: VB14, E2, B1, ID18, B2, VB1, TA17, E4, IG20, VB20 e IG4. O tempo de aplicação foi de 30 minutos. As agulhas foram manipuladas até alcançar o Te Qi. No grupo controle foi administrado deltacorte, vitamina B e Dibazol. Os pacientes foram avaliados antes na intervenção e no fim da ultima intervenção. O índice de melhora, índice eficiente, índice ineficaz e índice total, no grupo experimental eram de 74% índice de melhora (48 casos), 23% índice eficiente (15 casos) e 3% índice ineficaz (2 casos ) e 97% índice de eficiência total (63 casos) respectivamente, enquanto no grupo controle eles tinham 45% índice de melhora (30 casos), 31% índice eficiente (20 casos), 23% índice ineficaz (15 casos) e 77% índice eficiente total (50 casos) respectivamente. Nos dados estatísticos mostrados havia uma diferença significativa entre o experimental e o grupo de controle em cada um dos resultados de estudo (P < 0.01) tal que o efeito terapêutico no grupo de Acupuntura estava superior ao grupo de droga. (HE, et al., 2009)

Polito concluiu em seu trabalho que os melhores resultados foram obtidos em pacientes que iniciaram o tratamento com menor tempo de permanência e evolução da doença, não mais que 60 dias. Também relatou que não foi possível traçar um protocolo de tratamento já que a quantidade de pontos é muito variada e que cada paciente deve ter um tratamento específico e individual. Os pontos mais usuais e com maior eficácia no tratamento da PFP com base no estudo foram: E2, E4, E6, E7, E8, B1, B2, F3, ID18, IG4, IG20, TA5, TA17, VB14, VB20, VC24, VG26, EXCP4 e EX-CP5. (POLITO, 2010)

Barros, Barros e Nascimento realizaram no Hospital das Clínicas da UFPE, na cidade de Recife, um estudo de campo com uma paciente com PFP. A voluntária foi submetida a um tratamento en­volvendo técnicas de acupuntura, com duas sessões se­manais de 40 minutos de duração cada uma, perfa­zendo um total de 20 sessões, sendo utilizadas agulhas de acupuntura esterilizadas e descartáveis. Mesmo após as 20 sessões, o tratamento se manteve, dando-se continuidade até sua completa recuperação. Vários pontos de acupuntura foram utilizados no tratamento. Nas primeiras dez sessões foram utilizados os seguintes pontos: F3, F8, E41, BP6, VB34, E8 bilateral e E45, IG4 e E3 contralateral à lesão. Nas 10 sessões seguintes, foram utilizados os pontos: E2, E3, E4, E6, E7, VB14, TA17 e Taiyang no lado paralisado e os pontos E36, IG4 e VB34 em ambos os lados. Ao final do tratamento, a paciente apresentava si­metria e tônus normais ao repouso, com uma leve fra­queza, notável apenas à inspeção próxima. Em movimento, apresentava pequena assimetria na boca. Diante da rea­valiação dos testes de função muscular, houve melhora significativa dos músculos frontal, orbicular dos olhos (ausência de lagoftalmo) e mentoniano, com função dis­cretamente diminuída do orbicular da boca. Foi obser­vado, ainda, a permanência do lacrimejamento e maior controle em manter os alimentos na boca (BARROS; BARROS; NASCIMENTO, 2012).

Fabrin et al, em sua pesquisa avaliou os efeitos da acupuntura em sequelas de paralisia facial periférica através da eletromiografia. Foram selecionadas mulheres com mais de 20 anos com paralisia do nervo facial periférico  no lado direito e esquerdo. Foram realizadas sessões de 20 minutos de acupuntura uma vez por semana, por 20 semanas, utilizando estimulação manual em pontos de Yintang, F3, VB21, E2, E3, E6, E7, ID19, VC17.  A eletromiografia confirmou que a Acupuntura combinada com estimulação elétrica pode reverter a PFP num curto período de tempo. As sequelas graves foram minimizadas devido a um equilíbrio de ativação muscular em resposta à estimulação elétrica da Acupuntura com agulhas (FABRIN; et al, 2015).

Auteroche e Navailh descreveu que a agitação interna do vento do Fígado causam síncope brutal, língua rígida, elocução impossível, boca e olhos desviados, hemiplegia (AUTEROCHE; NAVAILH, 1992).

Maciocia diz que o aumento do Yang do fígado causando vento leva à manifestações clínicas como: inconsciência repentina, convulsões, desvio dos olhos e boca, hemiplegia, afasia ou dislalia e tontura, língua vermelha escura e desviada (MACIOCIA, 1996).

Harres apresentou seu estudo no Congresso da aplicação da acupuntura na paralisia do nervo facial, que é um problema comum envolvendo a paralisia de quaisquer estruturas inervadas pelo nervo facial. A mais comum é a paralisia de Bell, uma doença idiopática, geralmente causada por um choque térmico, entre outras razões e diagnosticada por exclusão. O uso da acupuntura no tratamento da paralisia facial periférica é baseado em estimular a mobilidade e eliminar os efeitos do fator climático (frio e vento) que promovem um choque térmico, invadindo a superfície do corpo. Foram utilizados pontos locais e distais acompanhados de técnicas de estimulação adequados para a obtenção de resultados. A acupuntura mostrou-se eficiente na diminuição dos efeitos causados pelos fatores climáticos aqui expostos (HARRES, 2014).

Barros apresentou uma pesquisa bibliográfica de paralisia facial e acupuntura, que foram divididos em dois grupos. O primeiro incluía textos com aspectos epidemiológicos e anatômicos da paralisia facial e o segundo o uso da acupuntura no tratamento da paralisia facial.
Os resultados revelaram que a acupuntura, comparada ao tratamento por corticosteroides da medicina ocidental, tem melhor efeito no tratamento da paralisia facial periférica em prazos mais curtos. Além disso, foi observado que a acupuntura aplicada na fase aguda levou à maior regressão da disfunção. O tempo de tratamento foi de 08 semanas (BARROS, 2011).

O objetivo desta pesquisa foi o de realizar uma revisão na literatura sobre o tema em questão, além de mostrar o potencial da acupuntura aplicada em pacientes com paralisia facial periférica.

 

 

 

3- CONCLUSÃO

 A Paralisia Facial Periférica é caracterizada por uma lesão do nervo facial. Afeta a musculatura mímica da face, como também, a audição, glândulas salivares e lacrimais. Dentre os tratamentos mais utilizados na PFP es­tão os corticosteroides, agentes antivirais, descompressão cirúrgica, fisioterapia e acupuntura.

A acupuntura é uma conduta terapêutica bem conhecida no tratamento de paralisia facial periférica, que pode aumentar o prognóstico de cura quando iniciado na fase aguda.

Dentre os tratamentos realizados com Acupuntura na PFP, os melhores resultados foram obtidos em pacientes que iniciaram o tratamento com menor tempo de permanência e evolução da doença, não mais que 60 dias. Quando comparada ao tratamento medicamentoso e eletroestimulação, a Acupuntura sistêmica foi a que se mostrou mais eficaz.

O tratamento por acupuntura na PFP mostrou-se de grande eficácia, no entanto, é necessário que as pesquisas sobre esse assunto continuem.

  

 

  

4- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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5- ANEXOS

Figura 1 – Músculos da Expressão Facial

debora 1

Fonte: www.slideplayer.com.br

 

 

 

Figuras 2 ; 3; 4 – Antes e Depois do Tratamento com Acupuntura

 

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Fonte: www.scielo.br

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