O USO DA ACUPUNTURA NA REDUÇÃO DOS SINTOMAS DA MENOPAUSA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

O USO DA ACUPUNTURA NA REDUÇÃO DOS SINTOMAS DA MENOPAUSA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
0 11/01/2016

O USO DA ACUPUNTURA NA REDUÇÃO DOS SINTOMAS DA MENOPAUSA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Autores:  Daniel Herdy da Silva e Karine Rocha da Silva

RESUMO

Aproximadamente 60 a 90% das mulheres referem sintomatologia na menopausa. Na medicina ocidental, as mulheres são tratadas com terapia hormonal para aliviar os sintomas da menopausa. Ao contrário da medicina ocidental, a Medicina Tradicional Chinesa não enfoca somente a doença, mas concentra-se no estado funcional geral do paciente. A Acupuntura é uma especialidade desenvolvida na China há mais de cinco mil anos e compreende a integração mente-corpo como um círculo de interação entre os sistemas internos e os aspectos emocionais. Conhecer os efeitos da Acupuntura sobre os sintomas da menopausa pode gerar subsídios para decisão sobre o tratamento independente ou em associação à terapia hormonal. O objetivo deste trabalho foi identificar na literatura a eficácia dos efeitos da Acupuntura sobre os sintomas da menopausa. Foi realizada uma revisão de literatura com trabalhos das bases de dados LILACS, SCIELO e Medline. Os resultados de ensaios clínicos sobre os efeitos da Acupuntura sobre os sintomas da menopausa não são consensuais. Apesar de não haver relatos de efeitos colaterais, diferentes protocolos resultam em melhora ou não da freqüência e gravidade dos sintomas. Estudos adicionais multicêntricos, comparando diferentes números de sessões e pontos utilizados, bem como o controle com a Acupuntura sham são necessários.

Palavras-Chave: Acupuntura; Menopausa; Medicina Chinesa

ABSTRACT

Approximately 60 to 90% of women report symptoms in menopause. In Western medicine, the women are treated with hormonal therapy to relieve the symptoms of menopause. Unlike Western medicine, traditional Chinese medicine focuses not only the disease but focuses on general functional status of the patient. Acupuncture is a specialty developed in China for over five thousand years and understand the mind-body integration as a circle of interaction between internal systems and the emotional aspects. Knowing the effects of acupuncture on the symptoms of menopause can generate subsidies for decision on the independent treatment or in combination with hormone therapy. The objective of this study was to identify literature on the effectiveness of the effects of acupuncture on the symptoms of menopause. A literature review was carried out works of databases LILACS, SciELO and Medline. The results of clinical trials on the effects of acupuncture on the symptoms of menopause are not consensual. Although there are no reports of side effects, different protocols result in improvement or not the frequency and severity of symptoms. Additional multicenter studies comparing different numbers of sessions and points as well as control with sham acupuncture are needed.

Keywords: Acupuncture; menopause; Chinese medicine

INTRODUÇÃO

Segundo Pimenta 2007, entende-se por fase da menopausa o período de 12 meses durante o qual ocorre a cessação das menstruações. É um fenômeno fisiológico decorrente do esgotamento dos folículos ovarianos que ocorre em todas as mulheres de meia idade, seguido da queda progressiva da secreção de estrogênio, culminando com a interrupção definitiva dos ciclos menstruais (menopausa) e o surgimento de sintomas característicos.

Do grego men (mês) e pausis (cessação), a menopausa reporta-se à última menstruação confirmada pela subsequência de um ano de amenorréia.  A fase que sucede a última menstruação é identificada como pós-menopausa; o período de vida que engloba a peri e a pós-menopausa é chamado de climatério e é durante esta fase que se verifica, geralmente, um conjunto de sintomas (Speroff & Fritz, 2005).

Dificuldades cognitivas, instabilidade emocional e humor depressivo, por sua vez, têm sido igualmente relacionados ao climatério. Existem controvérsias se estes são decorrentes somente da carência estrogênica ou de fatores psicossociais, em especial a percepção de envelhecimento. Possivelmente, os fatores sócio-culturais e psicológicos atuariam influenciando a modulação da resposta dos sintomas climatérios.

Quanto aos sintomas referidos, as ondas de calor são na verdade uma sensação súbita e transitória de intenso calor, seguida de sudorese e de esfriamento em poucos segundos, sentida primeiramente no tórax, face e cabeça e são sintomas mais prevalentes e que tem sido relatado como a principal busca pela reposição hormonal. (Basso, Regueiro et al, 2011).

Na Medicina Ocidental o tratamento da reposição hormonal é escolhido pelos médicos para evitar esses sintomas. Porém, estudos vêm mostrando que os efeitos colaterais são diversos, aumentando o risco de acidente vascular encefálico, câncer de mama, embolia pulmonar e trombose venosa. Surgi-se então as terapias alternativas como meio de tratar a causa, melhorando os sintomas. (Azevedo et al, 2010)

Existem diversas terapias alternativas como a homeopatia, yoga, meditação, fitoterapia, acupuntura, moxabustão.  A Medicina Chinesa, em especial neste trabalho, a acupuntura, é uma das técnicas mais conhecidas, porém pouco utilizada ainda para tratamento no ocidente.

A acupuntura é um conjunto de práticas terapêuticas criadas há mais de dois milênios, a acupuntura é um dos tratamentos médicos mais antigos do mundo. Consiste na estimulação de locais anatômicos sobre a pele – os chamados acupontos. A penetração da pele por agulhas metálicas muito finas e sólidas, manipuladas manualmente ou por meio de estímulos elétricos.

De acordo com a tradição chinesa, a técnica é capaz de ajustar canais energéticos do corpo, chamados de meridianos, de acordo com equilíbrio de yin e yang. A medicina ocidental e moderna, contudo, sugere que o método estimule a liberação de substâncias químicas que alteram o sistema nervoso e podem ter efeitos em todo o corpo, promovendo o equilíbrio do organismo. Sendo assim, está muito associada a transtornos orgânicos resultantes de tensões emocionais como o estresse. (Maciocia, 2007).

O diagnóstico é feito após uma anamnese de diferentes aspectos da vida do paciente e a observação de manifestações físicas como a pulsação, a respiração, cor e aspecto da pele e da língua. (Auteroche, 1992).

DESENVOLVIMENTO

Medicina tradicional Chinesa

Yin e Yang são dois conceitos básicos do taoísmo que expõem a dualidade de tudo que existe no universo. Descrevem as duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, a água, a passividade, escuridão e absorção. O yang é o princípio masculino, o fogo, a luz e atividade. Para os chineses “há um yin, há um yang, que se chama Dao”, quer dizer Céu e a Terra. Não pode haver yin sem yang, nem yang sem yin. (Auteroche,1992)

Segundo Campliguia para entendermos as doenças do aparelho reprodutor feminino temos que entender do significado do yin e nas suas possibilidades de desequilíbrio. A natureza do yin é cíclica, assim como a fisiologia da mulher nas diversas fases dos seus ciclos menstruais, alterando não só os órgãos reprodutores, mas também a energia disponível e a atividade psíquica.

No ser humano, a alternância de yin/yang é expressa pelo Qi (Energia) e pelo Xue (Sangue). Na mulher existe uma predominância de Xue e no homem, de Qi. O Questões Simples (Su Wen) diz “Yang transforma o qi, Yin forma a estrutura”

A teoria dos 5 elementos considera que o universo é formado pelo movimento e a transformação dos 5 princípios representados por: Madeira/ Fogo/ Terra/ Metal e Água. Eles se originam reciprocamente e são condicionados um pelo outro. Essa teoria é utilizada na medicina chinesa para explicar a fisiologia recíproca que existe entre os órgãos, mas também as influências dos órgãos entre eles nas situações patológicas (Auteroche,1992)

MENOPAUSA: MEDICINA OCIDENTAL

Fisiopatologia

A depleção dos folículos ovarianos ao longo da vida da mulher, ou diminuição da reserva ovariana é à base do envelhecimento reprodutivo e a transição para a menopausa. A diminuição do número de folículos ovarianos ocorre ao longo da vida, mas é acelerada nos anos reprodutivos mais tardios e leva a alterações hormonais que podem ser observadas até nos quarenta anos. Uma das mudanças mais precoces é a diminuição da secreção ovariana de inibina B. Este hormônio é responsável pelo feedback negativo para a hipófise e pela supressão do Hormônio Folículo-Estimulante (FSH) na parte precoce de cada ciclo menstrual.

A diminuição da inibina B resulta em níveis mais altos de ciclos precoces de FSH e, uma vez que os folículos ovarianos respondem ao FSH crescendo e secretando estradiol, resulta também em níveis mais altos de estradiol circulantes. Desta maneira, os níveis de FSH mais altos no ciclo precoce na verdade age para estimular o ovário Peri-menopausa e, portanto, preservam níveis normais de estradiol sérico ao longo do estágio mais precoce da menopausa. Somente após a absoluta depleção dos folículos ovarianos tornarem o ovário incapaz de responder até mesmo a altos níveis de FSH é que os níveis de estradiol começam a diminuir. Alterações nos níveis da gonadotropina hipofisária podem tornar a ovulação intermitente, levando à variabilidade do ciclo característica da peri-menopausa (LUND, 2008).

A freqüência de ciclos anovulatórios é aumentada ao longo da transição da menopausa. Ao longo da transição da menopausa e período pós-menopausa precoce, as concentrações séricas de testosterona não mostram nenhuma mudança e os níveis da globulina de ligação ao hormônio sexual sérica diminuem. Como resultado, os níveis de androgênio livre aumentam durante a transição da menopausa. Por conseguinte, pode-se dizer que o ovário na pós-menopausa é primariamente um órgão secretor de androgênio e a testosterona deriva das células intersticiais ovarianas (BURGER, 2006).

Sintomas e Tratamento

Mulheres na transição da menopausa comumente relatam uma variedade de sintomas, incluindo sintomas vasomotores (fogachos e suores noturnos), sintomas vaginais, incontinência urinárias, dificuldade para dormir, disfunção sexual, depressão, ansiedade, humor lábil, perda de memória, fadiga, cefaléia, dores nas articulações, e ganho de peso.

No entanto, apenas sintomas vasomotores, sintomas vaginais e problemas para dormir são consistentemente associados com a transição da menopausa. Sintomas como perda de memória e fadiga podem dever-se a freqüentes fogachos ou problemas para dormir (GRADY, 2006).

A prevalência do fogacho é máxima na transição final da menopausa, ocorrendo em cerca de 65% das mulheres. Na maioria das mulheres, os fogachos são transitórios (GRADY, 2006). Em até 50% das mulheres, a média de duração dos sintomas é de 4 anos (POLITI e col., 2008). A ocorrência parece estar associada a flutuações imprevisíveis nos níveis de estrógeno, ocorrendo durante o período perimenopausa, bem como a níveis diminuídos após a menopausa (DEECHER e DORRIES, 2007).

A diminuição dos níveis circulantes de estrógeno acarretam o aumento da circulação de norepinefrina e serotonina, contribuindo para termorregulação anormal da hipófise anterior, levando a ativação exagerada das respostas de dissipação do calor, incluindo vasodilatação periférica e sudorese. Acredita-se que o corpo não esteja em estado hipertérmico, mas que haja uma má comunicação na sinalização da temperatura que regula as respostas de temperatura normais. Assim, a mensagem para reduzir rapidamente a temperatura corpórea central resulta em vasodilatação extrema, seguida de sudorese e, em alguns casos, transpiração abundante, especialmente à noite, o que pode levar a distúrbios do sono (GRADY, 2006; DEECHER & DORRIES, 2007; RAPKIN, 2007).

A terapia de reposição hormonal (TRP), consistindo de estrógeno (em mulheres sem útero) ou estrógeno e progestona (em mulheres com útero) para proteger contra hiperplasia endometrial o câncer, é a opção de tratamento mais estudada e mais efetiva para alívio dos sintomas dos fogachos associados à menopausa e é considerado o padrão de cuidado para mulheres com fogachos moderados a graves.

Os riscos potenciais da TRH são: câncer de mama ou endometrial, acidente vascular encefálico, tromboembolismo pulmonar. Os benefícios em potencial são: supressão dos sintomas vasomotores, riscos reduzidos de câncer colorretal, doença arterial coronariana, demência e diabetes mellitus, osteoporose e fraturas relacionadas à osteoporose (UMLAND, 2008).

As terapias não-hormonais, tais como antidepressivos, anticonvulsivantes e anti-hipertensivos têm sido usadas para alívio dos fogachos, mas não são aprovadas pelo FDA para essa indicação. As vantagens são a redução quase imediata dos fogachos e o benefício de melhora do humor nas mulheres que sofrem de distúrbios de humor. Esse tratamento pode ser usado para mulheres que não podem usar a TRH, tais como aquelas com história de câncer de mama. Os mecanismos pelos quais essas terapias reduzem a freqüência dos fogachos são desconhecidos (UMLAND, 2008).

Para os sintomas vaginais, estrógenos vaginais, administrados como cremes, tabletes ou anéis liberadores de estradiol, são altamente efetivos, com melhora ou alívio dos sintomas relatados por aproximadamente 80 a 100% das mulheres tratadas. Entretanto, doses mais altas ou uso mais freqüente de estrógenos vaginais podem aumentar os níveis sistêmicos de estrógeno e potencialmente causar efeitos colaterais (GRADY, 2006).

MENOPAUSA: MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Fundamentos

Gen Nian Qi Zong He Zheng é a menopausa com seus sintomas relativos (“Todos os sintomas”). Gen significa “mudar”; Nian significa “idade” e Qi é “a fase”. Na MTC, a cessação do ciclo menstrual geralmente não tem significância em particular, uma vez que é considerada uma fase normal da vida. O aspecto psicológico é, provavelmente, mais importante na aparição dos sintomas. Muitas mulheres que são ativas e conscientes de seus “objetivos na vida” não têm problemas em particular enquanto passam por esta fase (SAUDELLI, 2004). Segundo Maciocia, o estresse emocional é uma causa importante dos problemas da menopausa constituído através dos anos antes de se instalar.

Preocupação, ansiedade, medo enfraquece os rins e levam a deficiência de yin, especialmente quando combinado com o quadro de excesso de trabalho, típico da fase da idade.

 Fisiologia e Etiopatogenia

De acordo com a MTC, os Rins armazenam e transformam Essência e Qi para gerar medula para o cérebro e ossos. Os Rins abrem-se nos ouvidos, genitálias e ânus, e conectam-se com a bexiga urinária. A Deficiência dos Rins é a Deficiência dos Rins-Essência e Rins-Qi, levando a disfunção de órgãos e tecidos associados. Teoricamente, um grupo específico de sintomas estaria presente se um único componente apresentasse mau funcionamento. Os sintomas compartilham da mesma mudança patológica. Qualitativamente, a Essência e o Qi do Rins são classificados em Yin dos Rins e Yang dos Rins.

A Deficiência da Essência e do Qi dos Rins são sub-padrões da deficiência do Yin dos Rins (KDS-Yin) e Yang dos Rins (KDS-Yang) (CHEN et al., 2008).

A deficiência dos Rins explica a ocorrência da menopausa em mulheres de meia idade. Essa deficiência inclui primariamente a síndrome da deficiência do Yin dos Rins, do Yang dos Rins e sua existência concorrente. O KDS é prevalente em mulheres de 40 anos ou mais, e aumenta com a idade. KDS-Yin é comum em mulheres com fogachos e começa a aumentar em mulheres de meia idade a partir dos anos pré-menopausa até a perimenopausa, enquanto que KDS-Yang aumenta nos anos pós-menopausa e o KDS-YY é prevalente em todas as mulheres na menopausa. O KDS-Yin, KDS-Yang e KDS-YY são as síndromes básicas na MTC dos sintomas da menopausa (NIR et al., 2007).

As possíveis causas dos sintomas podem ser encontradas em condições patológicas, tais como “falta de Qi” dos Rins, redução do Jing e Yuan Qi, falta de energia no Chong Mai e Ren Mai, falta de sangue e desbalanceamento entre Yin e Yang. A deficiência dos Rins explica os sintomas psíquicos e neurológicos. A deficiência de Jing explica a osteoporose e secura vaginal.

O consumo de Yin/água permite ao Yang/calor causar os fogachos (SAUDELLI, 2004). O princípio de tratamento, de acordo com cada padrão de desarmonia, e a respectiva seleção de pontos para o tratamento por Acupuntura estão organizados abaixo (SANTOS, 2005).

Diagnóstico

Na Síndrome Climatérica, o Shen (Rins) em estado de vazio é a raiz da deficiência, com duas possibilidades: se o Yin do Shen (Rins) for insuficiente, o Yang tende a se elevar; se o Yang for insuficiente, o Fogo de Mingmen (ponto VG4 ou Du4, localizado na coluna, entre os rins, que representa o aspecto Yang da Essência pré-Celestial, e fornece calor para todos os processos fisiológicos do corpo e para todos os Órgãos Internos) será fraco. O diagnóstico é baseado nos sintomas das deficiências do Yin do Rim e do Yang do Rim (CHEN et al., 2008).

Padrões de Desarmonia e Seleção de pontos para o tratamento

  • Padrão de Desarmonia
  • Princípio do Tratamento
  • Seleção de pontos

Deficiência de Yin do Rim

Nutrir o Yin do Rim, dominar o Yang, acalmar a mente e remover o calor vazio do Coração

P7, R6, R3, R10, VC4, BP6, R7, IG4 (tonificando) C6 (harmonizando)

 Deficiência de Yang do Rim

Tonificar e esquentar os Rins, tonificar o Yang, esquentar o centro, tonificar o Baço-Pâncreas

B23, B52, R3, P7, R6, VC4, VC15, R7 (tonificando). Pode usar moxa

Deficiência do Yin e do Yang do Rim

Nutrir os Rins, nutrir o Yin, tonificar suavemente o Yang, acalmar a mente

R3, P7, R6, VC7, C6, VC4, B23, B52, BP6 (tonificando)

Deficiência do Rim e do Fígado com subida do Yang do Fígado

Nutrir o Yin do Rim e do Fígado, dominar o Yang do Fígado, acalmar a mente, fixar a Alma Etérea

R3, F8, VC4 (tonificando) P7, R6, F3, VG24, VB13, VB20 (sedando)

Rins e Coração não harmonizados

Nutrir o Yin do Rim, acalmar a mente, remover o calor vazio

P7, R6, R3, VC4, BP6, R13, R7, C8, VC15, VG24 (tonificando) C6, CS7 (sedando)

Acúmulo de mucos e estagnação de Qi

Resolver os mucos, serenar o Fígado, eliminar a estagnação, libertar os Canais de Conexão

VC17, CS6, P7, VC6, VC10, TA6, E40, BP6, BP9, E28, VC4 (sedando ou harmonizando)

 Estagnação de Sangue

Revigorar o sangue, eliminar a estase, acalmar a mente, abrir os orifícios da mente, mover o Qi e eliminar a estagnação BP4, CS6, R14, BP10, B17, VC4, VC6, F3, CS7 (sedando ou harmonizando) Fonte: SANTOS, 2005 e MACIOCIA, 2000.

Os sintomas associados à deficiência Yin do Rim são: dor nas costas e/ou joelhos, dores articulares, fraqueza nas costas e/ou joelhos, sede à noite, discursos desconexos, esquecimentos, escapes de urina, fogachos, sentir frio nas costas, febre fraca intermitente, sentir calor nas palmas e solas, sudorese noturna, incontinência urinária, pouca libido, volume urinário aumentado, zumbido, sono aumentado, diurese aumentada à noite e durante o dia e insônia (CHEN et al., 2008).

Os sintomas associados à deficiência Yang do Rim são: dor nas costas e/ou joelhos, dores articulares, fraqueza nas costas e/ou joelhos, esquecimentos, escapes de urina, aversão ao frio, sentir frio nas costas, letargia, discursos desconexos, incontinência urinária, volume urinário aumentado, edema, diurese aumentada à noite e durante o dia, zumbido, pouca libido, fezes líquidas (CHEN et al., 2008).

 

 DISCUSSÃO

Acupuntura como tratamento da menopausa

Nos Estados Unidos, Nir et al. (2007) realizaram um estudo randomizado, placebo-controlado para determinar se a Acupuntura individualizada é uma opção de tratamento eficaz para a redução dos fogachos pós-menopausa e melhoria da qualidade de vida. Vinte e nove participantes na pós-menopausa, com média de pelo menos sete episódios graves a moderados de fogachos em 24 horas, com concentração de estradiol inferior a 50 pg/mL e nível de TSH normal, foram randomizados para receber 7 semanas (nove sessões de tratamento) ou de Acupuntura ativa ou de Acupuntura placebo.

Os acupunturistas selecionaram os pontos agulhados de acordo com um algoritmo diagnóstico padronizado. Cada tratamento ativo consistiu de 5 a 7 pontos de tratamento. As agulhas foram posicionadas nos pontos selecionados e estimulados moderadamente, até que a sensação de Qi fosse atingida, durante 20 minutos. Para os tratamentos placebo, 5 a 7 pontos foram selecionados, dentre 10 pontos não-válidos localizados fora de quaisquer canais de Acupuntura e agulhados com agulhas placebo que não penetravam a pele.

Os participantes que receberam o tratamento ativo tiveram maior redução na gravidade dos fogachos comparados àqueles que receberam placebo. A redução da freqüência de fogachos foi significativa em ambos os grupos. Assim, os autores concluíram que o tratamento com Acupuntura individualizada foi associada a uma diminuição significativamente maior na gravidade, mas não a freqüência, dos fogachos em mulheres sintomáticas na pós-menopausa comparado à Acupuntura placebo de igual duração (NIR et al., 2007).

No Brasil, de Luca et al. (2011) avaliaram, em estudo randomizado, duplo-cego, placebo-controlado, os efeitos da acupuntura e Acupuntura sham em mulheres com sintomas de menopausa que se refletem na intensidade de fogachos e no Índice de Kupperman (KMI), um índice de conversão numérica que cobre 11 sintomas da menopausa: fogachos, parestesia, insônia, nervosismo, melancolia, vertigem, fraqueza, artralgia ou mialgia, cefaléia, palpitações e prurido. Oitenta e um pacientes foram divididos em dois grupos: Grupo 1 (n=56): recebeu 12 meses de acupuntura, seguidos de 6 meses de acupuntura. Grupo 2 (n=25): recebeu 6 meses de acupuntura seguidos de 12 meses de Acupuntura (n = 25). As agulhas foram inseridas de forma harmônica craniocaudal a uma profundidade de cerca de 2 cm, e cada sessão durou aproximadamente 40 min. Os pontos usados foram: pontos extras da cabeça e pescoço, IG4, C7, CS6, TA5, VC12, VC6, VC4, E36, BP6, BP9, VB34, F3, P7, F5, R3, R6, (áreas usadas: A – área controle dos vasos sanguíneos; B – área de vertigem; C – área frontal; D – área pré-frontal). Os valores iniciais das mulheres em ambos os grupos foram semelhantes para a pontuação KMI e número de fogachos. No final de 6 meses, os valores de KMI e fogachos no grupo 1 foram inferiores aos das mulheres no Grupo 2. Após 12 meses, os dados de KMI e fogachos semelhantes em ambos os grupos.

Após 18 meses, os valores de KMI e fogachos no grupo 2 foram inferiores aos das mulheres do Grupo 1. Concluíram que o tratamento com Acupuntura para alívio dos sintomas da menopausa pode ser efetivo para diminuir os fogachos e escore KMI em mulheres pós-menopausa (LUCA e col., 2011). Vicent et al. (2007) realizaram um ensaio clínico randomizado prospectivo, simples-cego,  controle, com mulheres peri ou pós-menopausa que apresentavam cinco ou mais fogachos por dia. As participantes foram randomizadas para acupuntura (n=51) ou acupuntura (n=52) e fizeram parte do estudo durante 13 semanas: uma semana antes da acupuntura (semana basal), 5 semanas de acupuntura e 7 semanas de segmento pós acupuntura.

O tratamento real foi realizado em 12 pontos: BP4 e BP6, C7, IG11, F 2 e F 3, R6, P7, CS 6, VB 34, VC4, VB 20. Após atingir a sensação de Qi, as agulhas foram deixadas por 30 minutos. Foram realizadas duas sessões semanais durante 5 semanas. A acupuntura (n=52) foi definida como agulhamento em regiões não-meridianas, sempre que possível, a 5 cm ou mais de distância do ponto verdadeiro de acupuntura.

O desfecho primário investigado foi o escore de fogacho diário, ou seja, o produto da freqüência dos fogachos e sua gravidade. Na sexta semana a porcentagem de fogachos residuais foi de 60% no grupo acupuntura (1) e 62% no grupo acupuntura (2). Na semana 12, a porcentagem foi de 73% no grupo acupuntura (1) e 55% no grupo (2), porém não houve diferença estatística entre os grupos (VINCENT et al., 2007).

Em outro ensaio clínico randomizado, foi avaliado o efeito da acupuntura nos sintomas da menopausa de fogacho, distúrbios do sono e mudanças de humor. As 18 participantes foram divididas em dois grupos – 9 receberam acupuntura para saúde em geral e 8 receberam acupuntura específica – e receberam os tratamentos durante 9 semanas (uma vez por semana durante 3 semanas, depois uma vez a cada duas semanas em um total de 6 tratamentos) seguidos de 3 semanas de não-tratamento.

As sessões duravam de 20 a 30 minutos. Os locais usados para agulhamento no grupo experimental foram: B15; B23; B32; VG20; C7; CS6; BP6; F3; BP9. A gravidade dos fogachos mensais diminuiu continuamente ao longo dos 4 meses no grupo de acupuntura específica, enquanto que o grupo de acupuntura inespecífica não apresentou diferenças. Os distúrbios do sono diminuíram significativamente após 4 meses em ambos os grupos. As mudanças de humor diminuíram em ambos os grupos (COHEN et al., 2003).

O’Brien et al. (2007) investigaram a efetividade da estimulação de pontos de acupuntura a laser no alívio de sintomas da menopausa. Quarenta mulheres com até 10 fogachos por dia sem tratamento hormonal foram randomizadas para receber tratamento ativo (n=23) e placebo (n-17) durante 12 semanas.

A prescrição dos pontos foi individualizada aos participantes dentre BP6 (San Yin Jiao), P9 (Tai Yuan), F3 (Tai Chong), R6 (Qi Hai), IG4 (He Gu), C7 (Shen Men), CS6 (Nei Guan), e 3 pontos auriculares. Ao final do período de tratamento, o número de episódios de fogachos diurnos e noturnos por semana diminuiu significativamente em ambos os grupos, sem diferenças. Não houve diferenças entre mudanças relatadas com relação a humor, níveis de energia ou libido (O’BRIEN et al., 2007).

Uma recente revisão de literatura de ensaios clínicos sobre a associação da acupuntura com os sintomas da menopausa inclui 16 estudos. Três estudos não compararam a acupuntura com terapias específicas e demonstraram que o tratamento leva a uma redução de cerca de 50% na frequência dos fogachos. Sete estudos compararam a acupuntura com outras terapias: três mostraram que tem efeito significativamente menor em diminuir a freqüência de fogachos do que a terapia com estrogênio; dois encontraram um efeito semelhante ao relaxamento; um encontrou efeitos significativamente maiores do que o oryzanol, um suplemento alimentar. Dos sete estudos que compararam a acupuntura com alguma outra forma de penetração da agulha, superficial ou profunda, dentro ou fora dos pontos de acupuntura, cinco não mostraram efeito, uma apresentou efeito sobre a freqüência, e outro na gravidade, mas não na freqüência.

Estes estudos pouco corroboraram para um efeito ponto-específico nesta condição. Dois estudos compararam a acupuntura com agulhas grossas não penetrantes: um foi significativamente positivo para a gravidade do fogacho, mas não para a freqüência, e outro não mostrou nenhum efeito.

Em conclusão, os resultados de todos os estudos estiveram de acordo com a hipótese de que a acupuntura alivia os fogachos. Existem poucos dados, no entanto, para apoiar a hipótese de que o efeito da acupuntura é ponto-específico, uma vez que diferentes protocolos usando distintas profundidades e localizações de agulhamento (mesmo fora dos pontos de Acupuntura) tiveram resultados não-consensuais (BORUD et al., 2010).

 

METODOLOGIA

Foram selecionados trabalhos onde os resultados de ensaios clínicos sobre os efeitos da Acupuntura sobre os sintomas da menopausa não são consensuais. Apesar de não haver relatos de efeitos colaterais, diferentes protocolos resultam em melhora ou não da freqüência e a gravidade e dos sintomas.

OBJETIVO

O objetivo dessa pesquisa foi identificar na literatura científica a eficácia dos efeitos da Acupuntura sobre a redução dos sintomas na menopausa e realizando uma revisão de literatura nas bases de dados LILACS, SCIELO e Medline.

 

CONCLUSÃO

Não houve relatos de efeitos colaterais associados à acupuntura buscando diminuir os sintomas da menopausa.

Os resultados da efetividade da acupuntura, entretanto, não foram consensuais. Em três estudos, foi eficaz em diminuir a gravidade, mas não a freqüência dos fogachos; parestesia, insônia, nervosismo, melancolia, vertigem, fraqueza, artralgia ou mialgia, cefaléia, palpitações e prurido; diminuir gravidade dos fogachos de maneira específica (pontos específicos); diminuir os distúrbios do sono e mudanças de humor de maneira inespecífica (pontos não-relacionados).   Em dois estudos, a Acupuntura não foi efetiva em diminuir o produto da freqüência dos fogachos e sua gravidade comparada com Acupuntura sham; diminuir o número de episódios de fogachos e mudanças de humor, níveis de energia ou libido comparada com placebo.

Em uma revisão de literatura, concluiu-se que a Acupuntura alivia os fogachos, porém de maneira inespecífica. Assim, estudos adicionais multicêntricos, comparando diferentes números de sessões e pontos utilizados, bem como o controle com a acupuntura são necessários.

 

REFERÊNCIAS

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