A REDUÇÃO DA DOR EM PORTADORES DE CEFALÉIA DO TIPO TENSIONAL TRATADOS COM ACUPUNTURA

A REDUÇÃO DA DOR EM PORTADORES DE CEFALÉIA DO TIPO TENSIONAL TRATADOS COM ACUPUNTURA
0 05/05/2015

A REDUÇÃO DA DOR EM PORTADORES DE CEFALÉIA DO TIPO TENSIONAL TRATADOS COM ACUPUNTURA

 Autora: Dora Lúcia Souza de Andrade

 

RESUMO

 Na população geral, durante o curso da vida, a prevalência de cefaléia é maior que 90%. representando o terceiro diagnóstico mais comum (10,3%) pelos neurologistas. A cefaléia apresenta uma diversidade de variações, porém a mais comum hoje em dia é a Cefaléia do Tipo Tensional (CTT). A acupuntura promove a redução da dor em todos os seus aspectos, como na intensidade, na duração e na freqüência, com uma melhora significativa para os portadores dessa síndrome. O objetivo desse estudo é verificar a eficácia da acupuntura na redução da dor em portadores de cefaléia do tipo tensional.  É uma revisão bibliográfica, feita nos buscadores Google e Scielo, livros, anais de congresso, trabalhos de monografia, artigos acadêmicos e revistas, dos últimos cinco anos.

Palavras-chave: Cefaléia, Acupuntura, Portadores de Cefaléia tipo Tensional.

1 – INTRODUÇÃO

 Atualmente uma das principais queixas entre as pessoas é a dor, e a cefaléia é uma das dores mais comuns relatadas pelos indivíduos. Isso ocorre devido às mudanças diárias da vida levando ao estresse, ansiedade, nervosismo, irritabilidade, tensão entre outros motivos.

Na população geral, durante o curso da vida, a prevalência de cefaléia é maior que 90%. representando o terceiro diagnóstico mais comum (10,3%) pelos neurologistas.

A cefaléia apresenta uma diversidade de variações, porém a mais comum hoje em dia é a Cefaléia do Tipo Tensional (CTT); costuma ser bilateral e com predominância temporal, occipital e frontal, originando uma dor surda e constante, como aperto (ALMEIDA e SANTANA, 2011).

Segundo Brandão et al (2013), a cefaléia acomete 47% dos indivíduos em todo o mundo ao menos uma vez em suas vidas. No Brasil, estudo realizado em uma população de estudantes demonstrou relato de dor (CTT) em 32,9% dos casos. Observou-se também, uma queda na produtividade de 62,7% em indivíduos que apresentou enxaqueca e 24,4% naqueles com CTT.

Atualmente é grande a procura por tratamento alternativo face ao insucesso muitas vezes dos tratamentos medicamentosos. A dieta alimentar, a prática de exercícios físicos, a acupuntura e o uso de plantas medicinais são algumas terapêuticas alternativas para a cefaléia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a acupuntura como sendo uma terapia de baixo custo e alta efetividade. No Brasil, a procura pela técnica aumentou nos últimos anos..

Pela Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a condição de saúde é resultante da condição de existência de certo equilíbrio entre todos os sistemas internos físicos ou psíquicos.

A dor é compreendida como conseqüência da interrupção de processos biológicos – QI e Sangue- fundamentais para as operações do organismo, e a dor sinaliza a sua disfunção. Uma das suas características básicas é fluir, estar em movimento. Quando o QI e o sangue fluem livremente, não há dor.

Os mecanismos envolvidos no desenvolvimento da cefaléia na MTC têm dois quadros de diagnóstico: por meridianos, com base na localização e trajeto da dor; ou por síndromes, a qual depende de fatores externos ou internos e característica da dor. As síndromes podem ser devido ao excesso, que correspondem na maioria dos casos à enxaqueca e por déficit, que correspondem à cefaléia do tipo tensional (KIKKO, CASTRO, HAGASHIAMA, 2012).

Os pontos sugeridos para a etiologia foram:

  1. diagnóstico por meridianos: os meridianos percorrem todo o corpo conduzindo e distribuindo o QI para todas as regiões, incluindo os órgãos internos. O diagnóstico é dado pela localização e trajeto da dor.
  • região temporal (Shão Yang) → esta área corresponde ao meridiano da vesícula Biliar (VB); normalmente a dor é do tipo latejante e aguda. Pontos sugeridos: VB38, VB34, TA5, VB41.
  • região occipital (Tai Yang) → corresponde ao meridiano da bexiga (B); a dor geralmente é acompanhada de rigidez nas costas e pescoço. Pontos sugeridos: B60, B10, P7, ID3, VB20.
  • região frontal (Yang Ming) → corresponde ao meridiano do estômago (E); normalmente a dor é associada a uma sensação de peso na cabeça, atordoamento e falta de concentração. Pontos sugeridos: VB14, VG24, VG23, IG4, E44. E8,
  • região parietal (Jue Ying) → a dor atinge o topo da cabeça. O meridiano correspondente é o Fígado (F). A dor é do tipo surda e melhora quando o indivíduo se deita. Pontos sugeridos: F3, VB40, B67, ID3.
  1. Diagnóstico por Síndrome
  • Exterior por vento-frio: P7, IG4, IG11, IG14, VG15, VG20, B10, B11, B13.
  • Exterior por vento-calor: P5, P7, IG3, IG4, IG11, B11, ID1.
  • Exterior por vento-umidade: BP9, B23, B25, B60, E8, VG3, VG4.
  1. Interior por Excesso:
  • Síndrome do Yang do Fígado: TA23, VB14, VB20, VB21, VB34, BP6, R3, IG4.
  • Fogo do Fígado: VB20, VB38, VG20, R1, F1, F3, F14, Pc8, Pc9, TA6, IG4.
  • Vento do Fígado: F3, F1, VB20, VG20, BP6, VG16.
  • Estagnação do QI do Fígado: F3, F13, F1, F2, TA6, VB34, VB13, VB44, VB40, Pc6, BP6, VC6, VC17, R3,
  • Estagnação de Frio no canal do Fígado: F3, VG20, Moxabustão
  • Umidade: BP3, IG4, P7, VC12, B20, E8.
  • Fleuma Turva: E8, E40, IG4, F3, ID3, B62, VG20, VB20,
  • Retenção Alimentar: VC10, VC13, E21, Pc6, E34, E45, IG4, E8.
  • Estagnação de Sangue: F3, IG11, IG4, BP6
  • Calor do Estômago: VC12, IG4, IG11, E8, E21, E44, E40, F1, F3, VC10, IG10, BP4, Pc6, Yintang.
  1. Interior por Deficiência:
  • Deficiência de QI: VC6, BP6, E36, IG20.
  • Deficiência de Sangue: F8, BP6, E36, B20, VC4, VG20, B15
  • Deficiência do Rim: VG20, B23, E36, BP6, R6, VG19, VC4, R3.

(VERCELINO e CARVALHO, 2010; ARAUJO, 2011; ROSS, 2003; MACIOCIA, 2006; AGUIAR e COSTA, 2009; LIMA, 2013; AUTEROCHE e NAVAILH, 1992; MAGALHÃES e MEIJA, 2012; FEN, 2012; KIKKO, CASTRO e HAGASHIAMA, 2012).

No estudo realizado por Vercelino e Carvalho (2010) foi feito uma revisão de literatura sobre as substâncias endógenas que modulam a dor, favorecendo a analgesia durante a acupuntura, mostrando assim, a eficiência dessa terapia no tratamento da cefaléia.

Lima (2013) concluiu em sua monografia que a acupuntura é uma ferramenta importante no tratamento da redução dos sintomas iniciais da cefaléia, cuja origem é produzida pelo próprio indivíduo.

Segundo Almeida e Santana (2011), em sua pesquisa científica concluíram que nos últimos anos houve um aumento significativo de pessoas sofrendo por causa da CTT e consequentemente o aumento do uso de fármacos, que ocasionam melhora momentânea. Sendo assim, a acupuntura e a auriculoterapia apresentaram um tratamento com mais probabilidade de melhoras e sem reações diversas. Observaram também que as duas técnicas associadas são eficazes para o tratamento de cefaléia primária.

Araújo (2011) relatou que a acupuntura está sendo muito requisitada como método alternativo para cura das cefaléias crônicas em função de seus efeitos neuroquímicos e fisiológicos.

De acordo com Oliveira e Oliveira (2011), a acupuntura está cada vez mais respaldada em evidências científicas, deixando de ser esotérica e é uma técnica que pode ser usada associada a outros tratamentos ou de forma única e exclusiva no controle e/ou no tratamento da cefaléia.

Magalhães e Meija (2012) relataram que a acupuntura é uma opção valiosa para o tratamento das cefaléias crônicas, sendo de grande eficácia e baixo custo.

Kikko, Castro e Hagashiama (2012) apresentaram em seu trabalho que há o aumento da aplicação da acupuntura na cefaléia e seus efeitos positivos, demonstraram a utilização de outras técnicas em conjunto com a acupuntura como recurso terapêutico não farmacológico, e que maior tempo de duração em seus efeitos positivos em reduzir a freqüência e a gravidade da cefaléia.

Segundo Aguiar e Costa (2009), a acupuntura promove a diminuição da dor em todos os seus aspectos, como na intensidade, na duração e na freqüência, ocorrendo assim, uma melhora significativa na qualidade de vida da portadora de cefaléia do tipo tensional.

Bordin, Mariana e Lima (2014) consideraram em seu trabalho a eficácia da acupuntura no tratamento da dor de cabeça, podendo ser aplicadas como modalidade única ou como parte de um programa de tratamento mais complexo. A acupuntura controla os sintomas e não possui efeitos colaterais.

Brandão et al (2013) constataram no seu estudo os efeitos específicos da acupuntura no tratamento da cefaléia com redução na intensidade e freqüência desse tipo de dor para os participantes submetidos a este tratamento, além de melhorias em sua qualidade de vida, pois após as dez sessões de acupuntura estes relataram sentir-se mais motivados e menos ansiosos. Tal fato contribui para o reconhecimento da prática de acupuntura como alternativa para o tratamento da cefaléia na Saúde Pública e para a prática do profissional enfermeiro.

O objetivo dessa pesquisa foi o de realizar uma revisão na literatura sobre o tema em questão, além de verificar a eficácia da acupuntura na redução da dor em portadores de cefaleia do tipo tensional.

2 – METODOLOGIA

 Foi realizada uma revisão sistemática e descritiva, qualitativa  no banco de dados Scielo e Google acadêmico, nas bibliografias disponíveis e atualizadas da língua portuguesa para material de pesquisa. Utilizaram-se as seguintes palavras chave: cefaléia, acupuntura, dor tratada na medicina chinesa em portadores de cefaléia do tipo tensional.

Os critérios de inclusão envolveram os trabalhos relacionados ao tema com uso de acupuntura no tratamento, nos cinco últimos anos.

3 – CONCLUSÃO

 Em se tratando de dor, a acupuntura se faz muito presente, como modalidade única ou em conjunto com outras técnicas alternativas.

Os portadores de cefaléia do tipo tensional, em todos os estudos apresentados neste trabalho, tiveram melhoras significativas na sua dor. A acupuntura não apresenta efeito colateral e é de baixo custo, podendo ser utilizado por todos.

Essa terapia já está sendo utilizada com mais respeito e assiduidade por várias pessoas, e os resultados são positivos.

Sua divulgação precisa ser feita em todos os âmbitos de Saúde para que muitos possam ser beneficiados.

4 – REFERÊNCIA  BIBLIOGRÁFICA

 AGUIAR, D.F; COSTA, M.V.C. Abordagem terapêutica da acupuntura em portadoras de cefaleia do tipo tensional crônica. Monografia de Graduação em Fisioterapia, UNAMA, Belém – PA, 2009.

ALMEIDA, E.C.; SANTANA, M.C. Associação da Acupuntura sistêmica e Auriculoterapia no Tratamento de Cefaléia Tensional. Trabalho de Monografia em Especialização em Acupuntura, Centro de Estudos Firval,  São José dos Campos. 2011.

ARAUJO, APS, ALMEIDA, CA. Terapia Manual versus Acupuntura no Tratamento de Cefaléia: revisão de literatura. Rev, Saúde e Pesquisa. v2, n1, p. 107-113, jan/abr, 2009.

 ARAÚJO, M.S.B. Atuação da Acupuntura no Tratamento da Cefaleia Crônica. Trabalho de Conclusão de Curso de Pós-Graduação em Acupuntura, Faculdade Ávila, Manaus, 2011.

 AUTEROCHE, B, NAVAILH, P. O Diagnóstico na Medicina Chinesa, ed. Andrei, São Paulo, 1992.

BORDIN, ACS, MARIANA, TL, LIMA, B. As Contribuições da Acupuntura Sistêmica no Tratamento das Cefaléias. Monografia apresentada ao CETN, Bauru, 2014.

BRANDÃO, ML, OBA, MV, KINOUCHI, FL, SCANDIUZZI, RJ, SOARES, DW, GOMES, DF, TELES, NSB. Acupuntura no Tratamento de Cefaléia. Cadernos ESP, Ceará 7(2): 11-18. jul-dez, 2013.

Congresso Migrâneas e Cefaléias. n3, 2007, Sociedade Brasileira de Cefaléia, jul/ago/set, 2007, v10

FEN, C.H. Cefaleias Primárias – Diagnóstico pela MTC. II Congresso Internacional de Acupuntura do CMAESP; XVII Congresso Brasileiro de Acupuntura, FECOMERCIO, out/nov, 2012, São Paulo-SP.

KIKKO, D.T; CASTRO, J.R; HAGASHIAMA, T. Cefaleia segundo a Medicina Tradicional Chinesa. Monografia para Especialização em Acupuntura, Centro de Estudos Firval,  São José dos Campos. 2012.

LIMA, JRF, Acupuntura no Tratamento da Cefaleia causada pelo Estresse Ocupacional. Monografia para Pós-Graduação em Acupuntura, Mogi das Cruzes, SP, 2013.

MACIOCIA, G. Os Fundamentos da Medicina Chinesa. 1ed. São Paulo: Roca, 1996.

MAGALHÃES, J.R; MEJIA, D. Cefaleia e o tratamento por meio da acupuntura. Monografia de Pós-Graduação. Faculdade Ávila, 2012. www.portalbiocursos.com.r/cefaleia…acupuntura.  Acesso em 10/10/2014.

OLIVEIRA, A.A.C; OLIVEIRA, L.C. A Efetividade da Acupuntura no tratamento dos portadores de cefaleia.  Revista Hórus – v 5, n 1 – Jan-Mar, 2011. www.faeso.edu.br. Acesso em 09/10/2014.

ROSS, J. Combinações dos Pontos de Acupuntura – A Chave para o Êxito Clínico – São Paulo: Roca, 2003.

Tai Chi Massage – Tratamento da Enxaqueca com a Medicina Chinesa. <http//www.massoterapia.taichi.wordpress.com/;;/tratamento-da-enxaqueca-com-a-medicinachinesa.> Acesso em: 25/09/2014.

VERCELINO, R.; CARVALHO, F. Evidências da acupuntura no tratamento da cefaleia.  Rev. Dor, São Paulo, 2010, out/dez; 11(4): 323-328.

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