PROFILAXIA DA INSUFICIÊNCIA CARDIACA CONGESTIVA ATRAVÉS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

PROFILAXIA DA INSUFICIÊNCIA CARDIACA CONGESTIVA ATRAVÉS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
0 17/08/2017

PROFILAXIA DA INSUFICIÊNCIA CARDIACA CONGESTIVA ATRAVÉS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Autor: Maria Regina da Silva Pimentel Martinez

 

RESUMO

A insuficiência cardíaca é uma condição em que o coração já não consegue bombear o sangue eficazmente para suprir as necessidades do corpo, cujos principais fatores para o seu desenvolvimento é a hipertensão arterial e a obstrução aterosclerótica. Na Medicina Tradicional Chinesa ela é classificada como deficiência de Yang do Coração e estagnação do Sangue do Coração. Seus principais contribuintes são o excesso do peso corporal, o sedentarismo, a fadiga e o estresse emocional. Assim, entendemos que a prevenção é a melhor forma de tratamento para esta síndrome. Com alimentação adequada, exercício físico, o uso do moxa, acupuntura entre outras terapias que a medicina oriental oferece, adquirimos uma boa qualidade de vida prevenindo, assim, a evolução da insuficiência cardíaca entre outras patologias.

Palavras-chave: Coração, Sedentarismo, Alimentação, Prevenção.

 

ABSTRACT

Heart failure is a condition in which the heart can no longer pump blood effectively to meet the body’s needs, the main factors for its development is high blood pressure and atherosclerotic obstruction. In traditional Chinese medicine, it is classified as Yang deficiency Heart and stagnation Heart Blood. Its main contributors are excess body weight, physical inactivity, fatigue and emotional stress. Thus, we believe that prevention is the best treatment for this syndrome. With proper nutrition, exercise, the use of moxibustion, acupuncture and other therapies that Oriental medicine offers, we acquired a good quality of life by preventing thus the development of heart failure and other diseases.

Keys-Word: Heart, Inactivity, Power, Prevention.

 

 

  • INTRODUÇÃO

A insuficiência cardíaca congestiva, também chamada de insuficiência cardíaca, é uma síndrome clínica sistêmica e complexa. Ela ocorre quando o Coração já não consegue bombear o sangue de maneira eficaz, resultando em suprimento sanguíneo inadequado para atender às necessidades metabólicas dos tecidos na presença do retorno venoso normal.  Com a função de bombeamento do Coração comprometida, o sangue pode retornar as outras áreas do corpo, acumulando-se, por exemplo, nos pulmões, fígado, trato gastrointestinal, membros superiores e membros inferiores. Com isso, falta oxigênio e nutrientes para os órgãos onde houve acúmulo de sangue, prejudicando e reduzindo a capacidade dos membros de trabalhar de forma adequada.

Apontada como um importante problema de saúde pública, a insuficiência cardíaca apresenta elevada taxa de mortalidade e morbidade, apesar dos avanços tecnológicos no tratamento da doença. Sua manifestação clinica acontece de acordo com a condição, à qual o coraçao esteja submetido e de qual dos ventrículos esteja mais envolvido. Embora o ventrículo esquerdo costume falhar antes do direito, pode acontecer que os dois apresentem insuficiência ao mesmo tempo.  Com todo o exposto, este artigo propõe responder a seguinte questão: Como a medicina tradicional chinesa pode contribuir para a profilaxia da insuficiência cardíaca? Para isso, é importante analisar os hábitos e o equilíbrio emocional.

A insuficiência cardíaca é normalmente uma doença progressiva. O tratamento tem como proposta estabilizar a condição do paciente e tratar os sintomas. Entretanto, na maioria dos casos ela é prevenível. Com um estilo de vida saudavel podemos adquirir uma melhor qualidade de vida afastando as condições que levam ao desenvolvimento da patologia.

Este artigo é fruto de uma revisão bibliográfica onde foram pesquisados artigos, livros, revistas e entrevistas aos profissionais da área da saúde. Baseado em dados encontrados e compreendendo a importância da redução das taxas mencionadas, optou-se pelo estudo de um trabalho preventivo enfatizando, assim, a importância de uma alimentação saudável, exercício físico e equilíbrio emocional.

 

 

  • ETIOLOGIA

 Segundo levantamento apresentado no Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em 29 de setembro de 2010 na cidade Belo Horizonte (MG), a insuficiência cardíaca correspondeu a 24% das internações do aparelho circulatório. Em relação ao óbito, seria a maior causa de morte entre as doenças circulatórias, correspondendo ao total de 27,7% das mortes no Brasil, no ano de 2009. O Sistema Único de Saúde (SUS) gastou mais de R$ 294 milhões com os casos da doença naquele ano, e quase R$ 2 bilhões com doenças vasculares.

O Doutor Edson Henriques Pimenta, médico cardiologista do Hospital Federal de Bom Sucesso, localizado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), afirma que a hipertensão arterial é a maior causa da insuficiência cardíaca em uma fase mais avançada, fazendo o Coração se dilatar (miocardiopatia dilatada). Autores da Medicina Ocidental (MO) e da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) concordam que a alimentação inadequada, o sedentarismo, a fadiga e os fatores emocionais são grandes contribuintes para o seu desenvolvimento.

 

2b.1 – ALIMENTAÇÃO IRREGULAR

Autores da MO apontam a obesidade e o sedentarismo como sendo os principais fatores para o desenvolvimento de doenças como diabetes, hiperlipidemia, hipertensão e doenças vasculares. Essas, por sua vez, são apontadas como sendo os principais fatores de risco para o desenvolvimento da insuficiência cardíaca. Regimes alimentares pouco saudáveis e a falta de exercício físico são os principais contribuintes para esse quadro que vem crescendo de forma significativa no Brasil.

O Doutor Ricardo Pavanello[1], cardiologista do Hospital Dante Pazanezze, alerta para o consumo excessivo de sal, produtos industrializados ricos em sódio, embutidos e doces. O médico destaca a necessidade de atenção especial com as guloseimas de sabor adocicado, pois elas podem conter sódio e causar o aumento da pressão e sobrecarregar o trabalho do coração.

Segundo Maciocia (2014), para a MTC o Qi do alimento (Gu Qi) é a base para a produção do Qi e do Sangue. Estes são originados da transformação, pelo Baço, dos alimentos e líquidos orgânicos ingeridos. Uma vez formado, o Qi do alimento é transportado pelo Baço e outras partes refinadas dos alimentos, denominadas “essencias dos alimentos”, fluem para vários órgãos e partes do organismo.

A alimentação irregular e o consumo excessivo de alimentos gordurosos, doces e laticínios ou de alimentos frios e crus prejudicam o Baço/Pâncreas e o Estômago. Assim, o
Baço não pode realizar adequadamente a sua função que é a de transformar o alimento e transportar as essências alimentares. Com isso, ocorre a formação de mucosidades obstruíndo os vasos sanguíneos, gerando estagnação de Qi e Sangue, conforme declara Maciocia (1996).

2.1.1-Tratamento:

Autores da Medicina Ocidental apontam alguns alimentos como aveia, azeite, chá verde, linhaça, salmão, sardinha e atum como sendo alimentos amigos do Coração. A aveia, linhaça e o azeite auxiliam na diminuição do colesterol, este último é também, fonte de vitamina E. O chá verde tem propriedades antioxidantes e é diurético. Os peixes reduzem as taxas de triglicerides, a pressão arterial e ainda melhoram a circulação por conter ômega três. Embora autores da MO e da MTC concordem com a ingesta de alguns alimentos e fitoterápicos, para os autores da MTC, comer é muito mais do que nutrir o organismo, sendo assim a autora Teeguarden afirma:

“O alimento é tudo. É a origem da justiça e da injustiça, da felicidade e da dor, da saúde e da doença. O que comemos é realmente o fundamento, a estrutura básica do nosso destino, determinando o rumo do crescimento e do aperfeiçoamento humano. Através de todos estes anos de experiência, descobri, ou melhor, redescobri que o alimento está por trás de todo distúrbio mental e físico.” (TEEGUARDEN, 1980).

 

Os autores Kushi et al (1980) ainda chamam a atenção para a manutenção do equilíbrio com os alimentos integrais. Alguns alimentos são mais contrativos tornando-nos mais ativos (Yang) enquanto que outros tendem a nos relaxar e nos abrir (Yin). Um equilíbrio harmonioso entre Yin e Yan é a base para a nossa saúde e felicidade.

Teeguarden (1980) aponta o arroz integral como sendo o mais equilibrado dos cereais para o homem, por isso ele é à base da alimentação natural. A autora apresenta a figura, onde demonstra este equilíbrio:

 

Yang   – Carne

– ovos fertilizados

– aves

– peixe

Arroz    – cereais & vegetais

– algas

– laticinios

– frutas locais

 Yin      – mel

 

 

Dessa forma, usando a teoria do YinYang, o cereal seria o alimento principal, sendo o arroz integral, como já mencionado, o mais importante desses cereais. Os autores concordam que os grãos e vegetais têm um equilíbrio excelente entre Yin e Yang, de modo que devem ser utilizados sempre em nossa comida diária e relatam ainda que devemos escolher os alimentos de acordo com o nosso ambiente e o nosso clima. Kushi et al (1980) afirma que os alimentos crescidos em nossa região nos proporciona tudo o que precisamos sem a necessidade de utilizarmos alimentos transportados de diferentes climas e estações contrariando, assim, a ordem do universo.

2.2 – SEDENTARISMO

A Educadora Física e Doutora Denise Sardinha (2004) relata:

“Para o idoso e para as pessoas em geral, o descondicionamento é um fantasma que vai se instalando em suas vidas ao longo dos anos, sendo o sedentarismo uma arma mortal silenciosa.” (SARDINHA, 2004, p. 49)

 A autora chama atenção para o progresso tecnológico que vivem hoje os países desenvolvidos e industrializados provocando uma inatividade crônica das pessoas acarretando uma diminuição de atividade física. Tanto as formas de emprego e de trabalho como as formas de incentivos a atividades hipocinéticas para o uso das populações em suas horas de lazer resultam em uma inatividade no tempo livre dos adultos e também dos idosos, segundo afirma Sardinha (2004).

Estudos em adultos demonstraram que com o aumento do gasto energético de 500 Kcal para 3.500 Kcal o risco de morte em consequência das doenças cardiovasculares tende a diminuir em até 24%. Adultos que inicialmente eram inativos e que aunentaram seu nível de atividade física, mostraram uma redução significativa no risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, o que não foi obtido com aqueles que permaneceram inativos. Para a MTC, a falta de exercício também é uma doença. Assim, Maciocia (2014) chama atenção para a importância da atividade física regular, pois ela é fundamental para a manutenção da circulação adequada do Qi. A falta de exercício, por sua vez, conduzirá a estagnação do Qi e, em alguns casos, à umidade.

Assim, a frequencia de exercícios orientais como a ioga e o taichi chuan, visam não somente trabalhar músculos e tendões; mas também o desenvolvimento do Qi. Estes, muito recomendados para aqueles pacientes que apresentam deficiência do Qi e não possuem energia suficiente para suportar exercícios mais vigorosos, nutrem os órgãos internos promovendo saúde.

2.3 – FADIGA, CANSACO, EXAUSTÃO

A acupunturista Maria Rita da Rocha (2014) aponta também à fadiga, o cansaço, a exaustão e a falta de energia como fatores contribuintes para a Insuficiêcia Cardíaca entre outras patologias. Ela relata que, embora as visões da MO e da MTC sejam diferentes, ambas defendem a idéia que o sono não reparador e o excesso de atividade física contribuem fortemente para o aumento da fadiga.

“Segundo Maciocia (2014), a Fadiga é um dos sintomas mais comuns entre os pacientes ocidentais. Como sintoma fundamental, a Fadiga é discutida na MTC sob o título de “Exaustão” (fadiga por deficiência). No entanto, ela pode ocorrer também por uma condição de Excesso e, em muitos casos, por uma interação de Deficiência e Excesso” (ROCHA, 2014).

O Prof. Dr. Langen (1983) afirma que não existe uma terapia, baseada na aplicação de medicamentos, que possa curar os distúrbios do sono. Segundo o médico, os comprimidos resolvem apenas os problemas de ficar deitado sem conseguir dormir, não alteram o distúrbio propriamente dito. E alerta para o fato de que os medicamentos podem até mesmo agravar o distúrbio e contribuir para uma dependência suplementar de hipnóticos. Estes, por sua vez, só atingem os sintomas dos distúrbios de sono, através de meios que só prejudicam o organismo e sua capacidade, sem que haja qualquer alteração nas suas causas.

Lidell et al (1998, p.10) descreve alguns prazeres do dia a dia como ouvir música, apreciar  o movimento das núvens, catar pedras ou conchas na praia como exemplos de alguns modos que usamos para acalmar a mente. A autora menciona também a massagem como uma forma de nos proporcionar um meio de contrabalançar as tensões do trabalho e as pressões domésticas nos proporcionando a oportunidade de vivenciar um corpo mais relaxado e em harmonia. Um corpo que pode respirar prosseguir e mover-se livremente.

2.4 – TENSÃO EMOCIONAL

Maciocia (2014) e Rocha (2014) concordam que as emoções são estímulos mentais que influenciam nossa vida afetiva. Quando duradouras ou quando acontece de forma muito intensa, as emoções tornam-se causas de doenças, o que não acontece em circunstâncias normais.

Cada emoção reflete uma energia mental particular que pertence ao órgão relacionado. Portanto cada órgão específico é afetado por uma determinada emoção, sendo que cada emoção tem um efeito particular na circulação do Qi. Maciocia (2014) cita Su Wen, que no livro “O Questões Simples”, enfatizam que “A raiva faz o Qi subir, a alegria reduz a velocidade do Qi, a tristeza dissolve o Qi, o medo faz o Qi descer… o choque espalha o Qi… o estado de ficar pensativo amarra o Qi”. Contudo, o efeito de cada emoção em um órgão pertinente também não deve ser interpretado tão restritivamente. Há passagens do Clássico Imperador Amarelo que atribui o efeito das emoções a órgãos diferentes daqueles a pouco mencionada.

Além de afetar o órgão pertinente diretamente, todas as emoções afetam o Coração indiretamente porque o Coração abriga a Mente. O coração sozinho, sendo responsável pela consciência e cognição, pode conhecer e sentir o efeito da tensão emocional. No corpo, seu primeiro efeito é afetar a própria circulação e direção do Qi.

O Qi insubstancial e a Mente com suas energias mentais e emocionais são o tipo de Qi mais não substancial. É então natural que a tensão emocional que afeta a Mente prejudique a circulação de Qi e rompa o mecanismo do Qi em primeiro lugar. Embora cada emoção tenha um efeito particular no Qi, todas as emoções tem tendência a causar alguma estagnação de Qi depois de certo tempo. Quando o Qi estagna, pode, com o tempo, conduzir à estase de Sangue. A estagnação do Qi também pode conduzir a Calor e a maioria das emoções pode dar origem, depois de um longo período de tempo, a Calor ou Fogo. Há uma declaração na Medicina Chinesa: “As cinco emoções podem transformar-se em Fogo”. Por isso, ocorre  frequentemente sinais de Calor que podem estar no Fígado, Coração, Pulmão ou Rim. (Calor por deficiência no caso deste último órgão). Isso frequentemente é mostrado na língua que fica vermelha ou vermelha escura e seca, e possivelmente tem uma ponta vermelha, esses sinais nos asseguram de que aquele paciente está sujeito a alguma tensão emocional.

Com o tempo, Calor pode se transformar em Fogo, que é mais intenso, mais secante e afeta a Mente. Sendo assim, a tensão emocional, pode, com o tempo, causar fogo e isso por sua vez, molesta a mente que causa agitação e ansiedade. O rompimento do Qi, causado pelas emoções pode, com o tempo, também conduzir à formação de Fleuma, conforme declara Maciocia (2014).

O uso da dietética, fitoterapia, acupuntura entre muitas outras terapias podem ser usadas como forma de tratamento no equilíbrio dessas energias. O tratamento escolhido depende do diagnóstico traçado depois de uma avaliação. Entretando, uma vez que compreendemos que todas as emoções afetam o Coração causando os sintomas mencionados sugerimos os seguintes pontos de acupuntura.

“B15- Tonifica o Coração (Qi, Yang, Yin e Shue), move o Qi e o Shue do Coração, elimina o Calor do Coração, resolve a fleuma do Coração, tranquiliza o Shen.

B17- Governa o Xue (nutre, move, refresca e retém), tonifica e direciona o Qi, harmoniza o Diafragma e Tórax (emoções estagnadas).

F3- Circula o Qi e Xue de todo o corpo, elimina a Umidade-Calor, tranquiliza o Shen, nutre o Xue do Fígado.

C3- Elimina o Fogo (por excesso ou deficiência), desobstrui o canal, tranquiliza o Shen.

C7-Tonifica o Coração (Qi, Yin e Shue), equilibra o Shen. Trata a maioria dos problemas mentais-emocionais, além de palpitação, cansaço, insônia, pesadelos, problemas cardíacos.

Ren 6- Acalma o Coração e pacifica o espírito. Distúrbios psíquicos ou psicossomáticos.” (LIMA, 2015)

 

3 – O ÓRGÃO MAIS IMPORTANTE DO CORPO

A MO considera que o cérebro é o órgão mais importante do corpo atribuindo, ao mesmo, a capacidade de gerar todos os nossos comportamentos, desde a alimentação, comportamento sexual, sono e alerta. O neurologista Ailton Mello, especialista que atende no Centro Médico Hospitalar Português, afirma que é incorreto considerar que o coração é o principal órgão do ser humano e um equívoco creditar ao mesmo a capacidade de atuar como o centro das emoções. Ele diz: “É um grande engano. O coração é um órgão mecânico que serve apenas para bombear o sangue. Cabe ao cérebro ser o órgão que gera o amor, raiva, angústias, medos e elabora desde óperas a belas jogadas de futebol”, esclarece o médico.

Já para a MTC o Coração é o mais importante de todos os Órgãos Internos. De acordo com Maciocia (2014), Ling Shu, autor de “Eixo Espiritual”, menciona que “O Coração é o Monarca dos Cinco Órgãos Yin e dos Seis Órgãos Yang, sendo a residência da Mente (Shen)”. Enquanto, Auteroche e Navailh (1992) afirmam que o cérebro é uma víscera de comportamento especial. Segundo Su Wen, apud Auteroche e Navailh (1992), declara que “As seis vísceras nascem do sopro terrestre: cérebro, medula, ossos, vasos, vesícula biliar e matriz. Encerradas na região do Yin apresentam a imagem da terra, receptam e não eliminam. São chamadas “receptáculos irregulares”.

3.1.1 – O coração e suas funções

Na MO o sitema circulatório humano é um circuito fechado que leva o Sangue a todos os tecidos do organismo. Assim, suas principais funções são o transporte de oxigênio e nutrientes aos tecidos, remoção dos produtos de degradação e regulação da temperatura, assim ratifica Powers e Howley (2000, p.152).

Na MTC, o Coração representa ao mesmo tempo as funções reservadas ao coração como no ocidente, mas também uma parte das funções do sistema nervoso. Assim, suas principais funções são governar o Sangue, os vasos sanguíneos e abrigar a Mente (SHEN), conforme afirma Auteroche e Navailh (1992, p.62) e Maciocia (2014, p.89).

3.1.2 – O Coração governa o Sangue – Xue.

 De acordo Auteroche e Navailh (1992, p. 62) O Coração tem a função de dar impulsão ao Sangue a fim de que o mesmo circule nos vasos sanguíneos. A energia que promove o funcionamento da circulação sanguínea é o Qi do Coração. O Su Wen (cap. 18) diz: “O Coração encerra o Qi”.

3.1.3 – Controlar os Vasos Sanguíneos:

 “As integridades dos vasos dependem do Qi do Coração e do Sangue. Um Coração forte proporcionará uma boa circulação, assim como um pulso cheio e regular. Em caso contrário, um Coração fraco resulta em problemas circulatórios” (ROCHA, 2014).

3.1.4 – Abrigar a Mente:

Segundo a MTC, o Coração é a residência da Mente (Shen). A atividade mental e a consciência “residem” na mente. Para que ocorra uma atividade mental normal, uma vida emocional equilibrada, uma consciência clara, boa memória, pensamento aguçado, e bom sono o coração precisa estar forte e o Sangue abundante. Se o Coração estiver fraco e o sangue deficiente, podem ocorrer problemas mentais emocionais (tais como depressão), memória pobre, pensamento obscuro, insônia ou sonolência e, em casos extremos, inconsciência, segundo Maciocia (2014, p. 91).

4 – PATOLOGIA

A presença de obstrução aterosclerótica no sistema coronariano que, em resposta ao esforço físico ou ao estresse emocional, provoca déficit do suprimeto sanguíneo e, portanto, de oxigênio ao músculo cardíaco é classificada como Yang do Coração deficiente ou energia e sangue do Coração estagnante; a primeira no sentido de falta de energia do órgão coração e a segunda, como presença de obstrução (mucosidade) no sistema coração (vasos e músculo cardíaco) de acordo com os conceitos chineses de doenças, assim afirmam Vilella e Lemos (2010).

4.1 – DEFICIÊNCIA DE YANG DO CORAÇÃO

O Sangue e o Qi são interdenpedentes, pois sem Sangue não há matéria e sem o Qi não há movimento. Assim, observa-se que:

“‘O Qi é o general do Sangue’, e ‘o Sangue circula se o Qi circula’. Se o Yang Qi estiver diminuido, perde sua capacidade de pôr o Sangue em movimento, e a circulação sanguínea é retardada’” (ALTEROCHE e NAVAILH, 1992, p.131)

A deficiência de Yang pode ser causada por fatores de dieta (consumo excessivo de alimentos frios), esforço físico ou trabalho em excesso. A deficiência de Yang, também pode ser causada pelo frio por excesso; de fato, quando o Frio por excesso permanece no corpo, depois de algum tempo (geralmente em termos de meses) isso fere o Yang do Qi e leva a uma deficiência de Yang. Maciocia (2014, p. 325) declara que “os principais órgãos que sofrem com a deficiência do Yang são o Coração, o Baço, o Pulmão, o Rim e o Estômago”.

As manifestações clínicas para a deficiência do Yang do Coração são: palpitações, encurtamento da respiração em esforço físico, cansaço, transpiração espontânea, ligeira sensação de plenitude ou desconforto na região do coração, sensação de frio, mãos frias, face pálida e brilhante, lábios ligeiramente escuros. Abaixo, segue o princípo de tratamento para tonificar, e aquecer o Yang do Coração:

“Acupuntura:

Pontos:

C-5: acalma o Coração e pacifica a força de espírito, desperta os sentidos e beneficia a língua;

C-7: Fortalce o Shen; trabalha a estabilização das emoções.

PC-6: acalma a mente;

B-15: liberta o tórax e diminui o Qi, acalma o Coração e pacifica o espírito;

Ren-17: expande o Toráx e regula o Qi, alivia a dor e a dispnéia;

Ren-6: aumenta e regula o Qi, fortalece a essência;

Du-14: liberta o calor e a superfície, produz uma calma generalizada.

Metodo: Todos com metodo de reforço a moxa é aplicavel.” (MACIOCIA, 2014, p. 378-379)

4.2 – ESTAGNAÇÃO DE SANGUE DO CORAÇÃO.

As tensões emocionais como a preucupação, a ansiedade e a raiva podem causar a estagnação do Qi que, por sua vez, ocasiona a estase do Sangue do Coração. O Tórax é a mais provável parte do corpo em que as emoções reprimidas são mantidas, podendo, portanto, facilmente conduzir ao prejuizo da circulaçao do Qi ou do Sangue nessa área. Além disso, todas as emoções perturbam a Mente e qualquer problema emocional que a constranja pode provocar estagnação de Qi, do Sangue do Coração ou ambos.

O consumo excessivo de alimentos derivados do leite e gordurosos acarreta a formação de Fleuma, que é um dos fatres patogênicos nesse padrão.

As manifestações clínicas para a Estase do Sangue do Coração são: palpitações; dor no tórax em punhaladas ou em ferroadas, que pode se irradiar para o aspecto interno do braço esquerdo ou para o ombro; sensação de opressão ou constrição do Tórax; cianose dos lábios e das unhas, mãos frias.

Esse padrão não acontece por sí só, mas é derivado de outros padrões, principalmente da deficiência do Yang do Coração ou do Sangue do Coração. Os sinais e sintomas variam, portanto, de acordo com a origem do padrão. Os sintomas e sinais descritos anteriormente são apenas aqueles relacionados com a estase do Sangue do Coração e, na prática, haveria alguns sintomas além dos da deficiência do Yang do Coração e ou deficiência de Sangue do Coração.

Se for decorrente das deficiências do Yang do Coração ou do Sangue do Coração, este, é um padrão combinado de Deficiência/Excesso. Na maioria dos casos, ele é decorrente a deficiência do Yang do Coração, assim enfatiza Maciocia (2014, p.391).

Abaixo, seguem os princípios do tratamento para mover o sangue, eliminar a estase, tonificar e aquecer o Yang do Coração e acalmar a Mente:

“Acupuntura:

Pontos:

PC-6: abre o tórax, move o Qi e o Sangue, acalma a Mente.

PC-4: é o ponto de acumulação e é particularmente útil para interromper a dor do Tórax.

C7: nutre o Sangue do Coração e acalma a Mente;

Ren-17: move o Qi, o sangue no tórax e estimula a circulação do Qi de Reuni A moxa, após a inserção da agulha, pode ser usada se houver deficiência do Yang do Coração.

B-14: move o Sangue do Coração

B-17: move o Sangue e elimina a estase

BP-10: move o Sangue.

R-25: é um ponto local do tórax para mover o Qi e o sangue do Tórax. É particularmente útil se a deficiência do Yang do Coração estiver associada à deficiência do Yang do R.

Método: todos com método de redução durante o ataque ou método harmonizador entre os ataques. A moxa é aplicável se houver deficiência doYang do Coração”. (Maciocia, 2014, p.392)

4.3 – DEFICIÊNCIA DE QI DO CORAÇÃO:

Particularmente a tristeza ou pesar, podem ocasionar deficiência do Qi do Coração. Tal padrão pode ser causado por uma doença crônica. As mnaifestações clínicas para a deficiência de Qi do Coração são: palpitações, encurtamento da respiração em esforço físico, face pálida, transpiração espontânea, cansaço, depressão moderada. Para tanto, é importante evidenciar o princípio de tratamento para tonificar o Qi do Coração:

“Acupuntura:

Pontos:

C-5: tonifica o Qi do Coração

PC-6: também tonifica o Qi do Coração e seria particularmente útil se a tristeza fosse a causa do padrão.

B-15: é o ponto de transporte dorsal e tonifica o Qi do Coração. Moxa direta deveria ser usada neste ponto.

Ren-17: é o ponto da reunião para o Qi e tonifica o Qi do Aquecedor Superior e portanto e, portanto, o Qi do Coração.

Ren-6: tonifica o Qi do corpo inteiro e, portanto, fortalice o Qi do Coração.

Du-14: com cones de moxa diretos, tonifica o Qi do Coração.

Método: todos com método de reforço. (Maciocia, 2014, p.377)

4.4 – DEFICIÊNCIA DE SANGUE CORAÇÃO:

Uma vez que o Coração, em razão da insuficiência cardiaca não consegue bombear o sangue de forma adequada para o resto do corpo, ocorre a deficiência de Sangue do Coração.

 Suas manifestações clínicas são: palpitações, tontura, insonia, sono perturbado por sonhos, memória fraca, ansiedade, tendência a se assustar facilmente, compleição pálida e opaca, lábios pálidos.

            Princípio de tratamento: nutrir o Sangue, tonificar o Coração e acalmar a Mente.

“Acupuntura”

Pontos: C-7, PC-6, Ren 14, Ren 15, B-17, B-20.

Metodos: todos com metodos de reforço. A moxa pode ser utilizada.

Explicação:

C-7: nutre o sangue do Coração e acalma a Mente.

PC-6: Tonifica O Qi do Coração e acalma a mente

Ren-14 e Ren-15: tonificam o Sangue do Coração e acalmam a Mente Eles são particularmente úteis se houver ansiedade exarcebada.

Ren-4, B-17 e B-20: tonificam o Sangue. B-17 é o ponto de União para o Sangue,

B-20 é o ponto de transporte posterior para o Baço e tonifica o Qi do Baço para produzir mais Sangue.” (Maciocia, 2014, p.380,381)

5 – CONCLUSÃO

             A escolha da insuficiência cardíaca como tema para o desenvolvimento deste trabalho me ocorreu devido ao exercicio da minha profissão. Enquanto fisioterapeuta recebo um número significativo de pacientes idosos. Ao realizar as primeiras anamneses, me surpreendí com o número de medicamentos que esses pacientes fazem uso. Embora necessários, oferecem efeitos colaterais muitas vezes irreversíveis. Ao iniciar as pesquisas e tomar conhecimento das taxas de morbidade e mortalidade devido a esta patologia, retifiquei a idéia da minha escolha.

            De imediato, entendí que a acupuntura tem como objetivo equilibrar as energias evitando, assim, o desencadeamento de uma patologia. No entanto, se é o alimento que nos proporciona esta energia, não é difícil compreender que, para a manutenção da boa saúde, é necessário também a adoção de uma alimentação adequada. Dando continuidade a pesquisa, descobri uma série de tratamentos alternativos como os exercícios orientais, a fitoterapia, massagens entre tantos outros até então desconhecidos que podem nos proporcionar uma série imensuravel de benefícios. Hoje, abraço a MTC como um novo estilo de vida mais justo, saudável, coerente, equilibrado e sábio.

 6 – REFERÊNCIAS

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[1] Disponível no site: www.coracoalerta.com.br/fique-alerta/mais-de-17milhões-de-brasileiros-tem-doenças-cardiovasculares. Acessado em: 05 jun. 2016.