SÍNDROME DO PÂNICO: ACUPUNTURA COMO PRÁTICA COMPLEMENTAR

SÍNDROME DO PÂNICO: ACUPUNTURA COMO PRÁTICA COMPLEMENTAR
0 17/08/2017

SÍNDROME DO PÂNICO: ACUPUNTURA COMO PRÁTICA COMPLEMENTAR

Autor: Flávia Maria Lopes Cotrim Mesquita

 

Resumo:

Como o objetivo desta pesquisa é analisar as ações de acupuntura como complemento no tratamento da síndrome do pânico a metodologia escolhida foi do tipo e exploratório e descritivo, relacionando as ações de acupuntura com atividade complementar para a cura da patologia.  Esse estudo foi realizado na bibliografia e na Biblioteca Virtual de Saúde nos períodos de abril a junho de 2016. As principais causas da síndrome do pânico são: deficiência do JING dos Rins; Deficiência de QI e de Sangue; Deficiência do QI do Fígado e da Vesícula Biliar; Deficiência do QI do Coração e da Vesícula Biliar; Fogo do Coração e
e Sobrecarga do Fígado, uma vez identificadas às causas, o terapêutica pode ser elaborada   em acupuntura. Essa terapêutica tem se mostrado promissora no tratamento da síndrome do pânico através do acuponto que é determinado em certo ponto da pele, afim de, tonificar a energia XUE e QI do Rim, sedar YANG do coração, eliminar/nutrir as mucosidades, tonificar o QI do Coração e tonificar YIN do Rim nos pontos principais e complementares. O tratamento com a acupuntura propiciam efeitos benéficos e também em curto prazo, houve um grande avanço no tratamento da síndrome. É necessário que o profissional de enfermagem amplie o seu ramo de atuação, considerando a pratica da acupuntura uma possível assistência de enfermagem complementar não só na síndrome do pânico como também outras patologias.

Palavras-chave: Acupuntura, Síndrome Pânico, Enfermagem.

 

Abstract:

Since the goal of this research is to analyze the actions of acupuncture as a supplement in the treatment of panic disorder was the methodology chosen and the type exploratory and descriptive, relating acupuncture actions with complementary activity for the cure of the disease. This study was carried out in the bibliography and the Virtual Health Library in the period April to June 2016. The main causes of panic disorder are: deficiency of JING Kidneys; Deficiency of QI and Blood; Disability IQ Liver and Gallbladder; Disability IQ Heart and Gallbladder; Fire Heart and liver overload, once identified the causes, treatment can be developed in acupuncture. This therapy has shown promise in the treatment of panic disorder through acupoint which is determined at some point of the skin, in order to, toning XUE energy and Kidney QI, sedate YANG heart, eliminate/ nurture phlegm, tone IQ Heart and tone YIN kidney in the main and supplementary points. Treatment with acupuncture provide beneficial effects and also in the short term, there was a breakthrough in the treatment of the syndrome. It is necessary that the professional nursing expand its line of business, considering the practice of acupuncture a possible supplementary nursing care not only in panic disorder as well as other diseases.

Keywords:  Acupuncture, Panic Syndrome, Nursing.

 INTRODUÇÃO

 A Medicina Tradicional Chinesa surgiu a milhares de anos na China, com terapêutica     e meios de diagnóstico específicos através de uma concepção holística em relação ao ser humano com o mundo, avaliando disfunções fisiológicas, sistêmicas, energéticas e vibracionais, estabelecida por um conjunto de modalidades, como a acupuntura altamente   aplicada atualmente (NASCIMENTO; OLCERENKO, 2009).

Umas das características fundamentais da Medicina Chinesa é a ausência da divisão mente e corpo, trata do homem como um todo, no que tange as patologias de ordem metal descreve as alterações somáticas associadas a alterações mentais pela CID-10 e pela DSM-IV. Para tanto, a acupuntura atua tanto no tratamento de transtornos mentais por acupunturistas tradicionalistas que utilizam os princípios clássicos e por acupunturistas modernos. A medicina ocidental não se restringe à doença, tampouco nas manifestações sintomatológicas, mas nas moléstias que atingem e afetam o individuo na sua totalidade (ALVIM, et al, 2013).

Para Nascimento; Olcerenko (p.179, 2009):

É uma técnica da Medicina Tradicional Chinesa, que significa em latim “punção com agulhas”; sendo utilizada em vários países  e recomendada pela Organização das Nações Unidas (ONU), através da Declaração de Alma Ata da institui a Medicina Alternativa em caráter internacional como uma técnica eficiente no tratamento e prevenção de doenças. Desenvolvida na China há 5.000 anos, utiliza-se da colocação de agulhas metálicas em pontos específicos para harmonizar e preservar ou devolver a saúde. Seu funcionamento é regido por certas leis universal descobertas há milênios por sábios taoístas.

A acupuntura tem por objetivo tratar as doenças por meio de aplicações de agulhas

de corpo longo e ponta fina em pontos determinados para produzir sensações ao paciente com a finalidade de curar uma enfermidade. Tais pontos nas quais são inseridas as agulhas são escolhidos a partir de uma avaliação detalhada para conhecer o histórico e evolução da doença e, com isso determinar o melhor tratamento, tempo e pontos a serem estimulados. Também se utiliza o pulso do paciente que informara acerca do estado energético dos meridianos principais do corpo, evidenciando bloqueios ou deficiências; a avaliação da língua que possibilita identificação e a condição energética (YIN e YANG) dos órgãos e das vísceras. A sessão dura em média de 30 minutos, sendo recomendada uma por semana, durante três meses, posteriormente é feita a reavaliação para constituir em que periodicidade se fará o controle (YAMAMURA, 2001).

O diagnóstico na acupuntura é realizado por quatro procedimentos: inspeção: geral e regional, onde a língua é inspecionada durante o diagnóstico pelos acupunturistas chineses; ouvir as queixas e sentir os odores apresentados pelo paciente; questionar os dados a respeito da duração, local e tipos de sinais e sintomas; palpação: pulsologia, um dos métodos mas  utilizados pelos acupunturistas, há uma relação entre a posição do pulso e os diferentes meridianos do organismo indicando a situação do meridiano no indivíduo naquele momento (WEN, 2006).

No que tange a esta temática acerca do tratamento da síndrome do pânico através da  acupuntura, inúmeras pessoas acometidas por esta patologia têm tido grandes resultados com essa terapêutica. Cabe ressaltar que a acupuntura tem se mostrado muito eficiente para tratar distúrbios como insônia, ansiedade, falta de libido, dores, e até doenças mais complexas como síndrome do pânico, Mal de Alzheimer, entre outros.

É um tratamento de ação rápido, estimula a produção dos hormônios da alegria (adrenalina), da dor (endorfina), do sono (melatonina), dentro outros, dependendo da idade e do sexo do paciente, causando bem-estar, melhora imediata do sono e disposição.  É uma excelente forma de relaxar, pois dispersa a ansiedade e as tensões, através do equilíbrio de YIN e YANG, aumentando os hormônios citados anteriormente sem agredir o corpo e a mente (ANDRADE, et al, 2003) (WEN, 2006).

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental do EUA, entre 2 e 4% da população mundial sofre com o transtorno de pânico, sendo que a prevalência é maior nas mulheres, numa proporção de 2:1 em relação aos homens. Os primeiros ataques normalmente ocorrem no final da adolescência e inicio da vida adulta, mas os riscos de se ter um ataque de pânico não se restringe a estas faixas etárias (OLIVEIRA, 2013).

Grande parte dos indivíduos brasileiros que atualmente sofre de alguma doença emocional como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, estresse, enxaqueca, hipertensão, irritabilidade ou insônia, visto que, a falta de tempo e o ritmo acelerado de trabalho, faz com que a sociedade fique doente e tenha um grande desgaste de energia, refletindo diretamente na qualidade de vida. Aproximadamente 12% da população são ansiosa, o que representa 24 milhões de brasileiros com ansiedade patológica. Estima-se que 23% da população brasileira terá algum tipo de distúrbio ansioso ao longo da vida (KNOBL, 2013).

Tendo em vista estes dados estatísticos, na qual chamou a atenção foi traçado como  objetivo desta pesquisa, analisar as ações de acupuntura como complemento no tratamento da síndrome do pânico.

A metodologia escolhida foi do tipo e exploratório e descritivo, relacionando as ações de acupuntura com atividade complementar para a cura da síndrome do pânico, concomitante a outros tratamentos, psicoterápicos e medicamentosos nas quais acredita-se que, além de ter resultados a curto prazo, também possui grande eficácia no bem-estar do paciente.   

A abordagem qualitativa se insere nesse estudo, sendo a pesquisa realizada através de bibliografia e na Biblioteca Virtual de Saúde nos períodos de abril a junho de 2016.  

O critério de inclusão e exclusão da amostra foram artigos publicados no período dos últimos 10 anos e em língua portuguesa. Os descritores utilizados foram “acupuntura”, “síndrome do pânico” e “pontos de acupuntura na síndrome do pânico”.

Devido à escassez de material para realização desde estudo resolvemos acrescentar literaturas portuguesas de diferentes épocas nas quais elucidam a nossa temática.

No levantamento da revisão científica foram feitas leituras e seleção do material de interesse, foram respeitados todos os méritos de autores que potencialmente contribuíram para esta pesquisa.

 Foram utilizadas duas categorias temáticas para atender o objetivo traçado de modo a construir uma produção científica, a partir do estudo e interpretação das obras selecionadas.

REVISÃO DE LITERATURA

2.1 SINDROME DO PÂNICO

2.1.1 Etiologia:

A maioria dos estudos realizados até o momento aponta para uma origem de natureza multifatorial, envolvendo comportamentos aprendidos, questões de ordem emocional e episódios traumáticos. Não se falam em etiologias próprias e sim de fatores predisponentes, como distúrbio de Quanto à etiologia, não há, ainda, um consenso a esse respeito. A maioria dos estudos, realizados até agora, ansiedade de separação na infância e a perda súbita de suportes sociais ou interrupção de relacionamentos interpessoais importantes.

É desconhecida as causas específicas do transtorno do pânico, mas sabe-se de fatores que o favorecem: herança, disposição inata ou precocemente adquirida, terreno psíquico ansioso, vivências traumatizantes, estados especiais de insegurança, etc., bem como fatores orgânicos como distúrbios da serotonina cerebral e a ingestão de algumas substâncias excitantes, como anfetaminas, cafeína, cocaína, álcool, etc. Tais substâncias causam ansiedade nas pessoas normais, desencadeando crises de pânico nas pessoas predispostas (SALUM; BLAYA; MANFRO, 2009).

A Medicina Chinesa descreve que os sete fatores emocionais, a alegria, a ira, a tristeza, a melancolia, a ansiedade, o medo e o choque são as emoções que derivam das reações diante do estímulo do ambiente. Uma excitação emocional súbita ou de duração prolongada pode prejudicar a saúde, causando distúrbios funcionais de energia e de sangue demasiado, convertendo-se em fatores patogênicos internos. Esses sete fatores emocionais que lesionam os órgãos são um dos principais fatores que motivam as lesões internas (YAMAMURA, 2001).

 2.1.2 Conceito:

A síndrome do pânico tem sido utilizada para descrever ansiedade, que restringe em alto grau a possibilidade do indivíduo tomar qualquer atitude. São alterações fisiológicas, comportamentais e emocionais, conhecidos como ataques, ou crises que caracterizam-se por reações súbitas e intensas do sistema nervoso simpático que desencadeiam varias sintomatologias. Os ataques têm seu ápice em torno de dez minutos após o início, podendo perdurar até uma hora (OLIVEIRA, 2013).

Transtorno do pânico ou síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade caracterizado por crises cíclicas de medo intenso e sintomas físicos aterrorizantes que se iniciam de forma brusca e inesperada, causando na pessoa a nítida impressão de que ela está enlouquecendo ou morrendo. No aparelho psíquico, as crises de pânico desencadeiam os mecanismos de alerta orgânico na ausência de qualquer ocorrência grave.

Para Gil (2008) é um distúrbio psicológico que origina episódios repentinos e recorrentes de forte ansiedade e medo, associado a uma série de reações físicas e emocionais como pavor, nítida sensação de que vai morrer, enlouquecer e perder o controle. Manifesta-se     através de crises de medo e terror absurdos, onde qualquer gesto pode se transformar em uma grande ameaça que paralisa o indivíduo, bloqueando-o de prosseguir na sua vida com qualidade, o que pode complicar o quadro clínico e levar a depressão grave. Ela pode ser confundida com a fobia, o medo está associado a uma situação ou objeto específico. O episódio de pânico ocorre subitamente, sem nenhuma causa ou gatilho aparente, podendo ocorrer mesmo quando a pessoa está até dormindo.

Segundo Salum; Blaya; Manfro (p. 87, 2009):

O transtorno do pânico (TP) é caracterizado pela presença de ataques de

pânico recorrentes que consistem em uma sensação de medo ou mal-estar

intenso acompanhada de sintomas físicos e cognitivos e que se iniciam de  forma brusca, alcançando intensidade máxima em até 10 minutos. Estes ataques acarretam preocupações persistentes ou modificações importantes

de comportamento em relação à possibilidade de ocorrência de novos ataques de ansiedade.

 2.1.3 Fisiopatologia

De acordo com Afonso (1997) (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2006) a serotonina 5-HT é a substância neuroquímica da ansiedade, tanto no bloqueio de seus receptores, como no bloqueio da sua síntese, produzindo efeitos ansiolíticos, logo, exerce um duplo papel na regulação da ansiedade. Ela exerce um papel ansiogênico na amígdala e ansiolítico na matéria cinzenta periaquedutal dorsal (MCPD). As reações de pânico se dão ao nível da MCPD, onde a 5-HT parece exercer um papel inibitório sobre os neurônios que comandam a reação de defesa.

 Outro neurotransmissor envolvido com os processos de ansiedade, é o GABA (ácido gama-aminobutírico) o principal neurotransmissor inibitório do SNC, está presente em quase todas as regiões do cérebro, no entanto sua concentração varia conforme a região. A inibição da síntese do GABA ou o bloqueio de seus neurotransmissores no SNC, resultam em estimulação intensa, manifestada através de convulsões generalizadas. A relação entre o GABA e a ansiedade evidencia-se no fato de que alguns ansiolíticos facilitam sua ação. Seu efeito ansiolítico é fruto de alterações provocadas em distintas estruturas do sistema límbico, inclusive a amídala e o hipocampo. Ao se combinar com o receptor, o neurotransmissor GABA modificar-se a conformação e essa deformação transmite-se ao canal de Cl (Cloro), abrindo-o. Em consequência, íons Cl penetram na célula, onde sua concentração é menor que no exterior. Logo, ocorre uma hiperpolarização da membrana pós-sináptica que inibe os disparos do neurônio pós-sináptico por inibir a despolarização de sua membrana, imprescindível à geração de impulso nervoso.

Na amídala cerebral, no sistema septo hipocampal, há uma comprovação das informações colhidas pelo sistema visual, tátil, e auditivo, formando uma visualização ampla como representação do mundo exterior. As imagens são correlacionadas com as memórias arquivadas na mente se houver similaridades com perigos já enfrentados, o pânico é desencadeado. Quando a situação fica entre o esperado e o acontecido, ocorre um controle, caso ao contrário desencadeia-se um quadro de ansiedade. Por um sistema de códigos processados no SNC, passa a existir para o indivíduo a ameaça, a luta ou a fuga, concomitante com as emoções: raiva ou pânico. O pânico é uma desproporção dos receptores 5HT1 e 5HT2 na região chamada substância cinzenta perequidutal e a ansiedade é uma desproporção desses receptores na amídala (CASTILHO, et al. 2000)

2.1.4 Sintomatologia:

Os sintomas são caracterizados por medo enorme sem explicação, indefinido, medo infundado, presença de ataques de pânico, onde a crises súbitas, repentinas, espontâneas, com forte sensação de medo de tudo ou sem motivo, de perigo, de desmaio, de derrame cerebral, loucura ou morte iminente, sensação de alerta ou de fuga, necessidade de socorro imediato ou até de se isolar ou agitação e múltiplos sintomas indefiníveis. Um terrível mal estar, o individuo se sente totalmente inseguro, como uma criança (SALUM; BLAYA; MANFRO, 2009).

De acordo com Valença (p. 7, 2013):

1) Falta de ar (dispneia) ou sensação de asfixia

2) Vertigem, sentimentos de instabilidade ou sensação de desmaio

3) Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado (taquicardia)

4) Tremor ou abalos

5) Sudorese

6) Sufocamento

7) Náusea ou desconforto abdominal

8) Despersonalização ou desrealização

9) Anestesia ou formigamento (parestesias)

10) Ondas de calor ou frio

11) Dor ou desconforto no peito

12) Medo de morrer

13) Medo de enlouquecer ou cometer ato descontrolado

 Os sintomas são extremamente desagradáveis e ameaçadores, frequentemente provoca ansiedade antecipatória, comportamentos de esquiva de múltiplas situações e dependência de outras pessoas, situações que são limitantes.  Outros sintomas comuns são:   depressivos, hipocondríacos e abuso de álcool ou tranquilizantes. Trata-se de uma doença potencialmente causadora de prejuízos sociais e ocupacionais relevantes, pelas limitações de atividades diárias e de papéis sociais, integrada o maior uso de serviços de saúde (TORRES; CERQUEIRA; ABREU,  2001).

A síndrome do pânico varia de acordo com a intensidade, nem todos sentem os mesmos sintomas. Pode ser classificada em leve, moderada, grave e muito grave. Alguns portadores do pânico, apesar de muito desconforto, conseguem trabalhar com dificuldades, devido à necessidade; porém outros não conseguem nem mesmo sair da porta de sua casa, ficando confinados, encarcerados em seu lar (VALENÇA, 2013).

Para Mendes (et al, 2000, p. 2):

Os sintomas físicos (somáticos): taquicardia, ondas de frio e calor; parestesias, falta de ar; tremores, sudorese; dor no peito, dor abdominal; sensação de desmaio, tontura, cefaleia;   náuseas e diarreia. Sintomas psiquiátricos: medo do morrer; medo de enlouquecer; medo de perder o controle; despersonalização/ desrealização.

A Associação Nacional da Síndrome do Pânico descreve como principais sintomas da doença os seguintes estados: falta de ar, vertigem, palpitações (taquicardia), tremor nos braços e/ou nas pernas, sudorese, sufocamento, náusea ou desconforto abdominal, despersonalização, anestesia ou formigamento, ondas de calor ou calafrios, dor ou desconforto no peito, medo de morrer e medo de enlouquecer. A ocorrência simultânea de quatro sintomas, dentre os acima descriminados, são suficientes para demonstrar a existência da doença.

Descreve também que, alguns traços da personalidade de quem sofrem da síndrome do pânico, tais como, indivíduos com tendência ao perfeccionismo tendo uma autocrítica muito elevada e não se permitindo falhar em nenhum aspecto. Há uma cobrança extrema quanto à execução de atividades impecavelmente e de certa forma esperando a mesma atitude alheia. O indivíduo quando sente que está sofrendo ou percebe que sua vida está sendo afetada negativamente pelo transtorno do pânico, possui tendência a esquivar-se de atividades que antes exercia, a isolar-se socialmente, a deprimir-se ou sentir-se fragilizado, muito inseguro e amedrontado. As principais limitações que o individuo sofre é um prejuízo enorme e muito sério que afeta a sua autoconfiança. Sem autoconfiança, ele pode se achar incapaz de exercer qualquer tipo de atividade ou manter rede de relacionamento. Normalmente isolar-se totalmente, entrar em grave depressão e alimentar ideias delirantes, suicidas e desenvolver outras doenças, dentre outras possibilidades graves (SALUM; BLAYA; MANFRO, 2009).

Para a Associação Nacional da Síndrome do Pânico, afim de diagnóstico, há necessidade de se realizar inúmeros de exames laboratoriais bastando um bom histórico clínico para que o médico possa descartar certas doenças. Cabe ressaltar que há uma diferença entre Fobia e síndrome do pânico. A Fobia é um medo exagerado e desproporcional ao estímulo, não conseguindo avaliar a realidade da situação, ocorrem pensamentos catastróficos e a pessoa sabe que o medo é exagerado, mas não consegue evitar a ansiedade, sendo que quando elimina o estímulo aterrorizante desaparecem os sintomas. Já na síndrome do pânico   não existe estímulo externo, surgem ataques independente do lugar e da hora, sendo visto como um distúrbio de ansiedade, fundamentado em base orgânica e psicológica.

2.1.5 Tratamento

De acordo com Salum; Blaya; Manfro (p. 91, 2009):

O manejo das crises de pânico baseia-se principalmente na tranquilização do paciente mediante a informação de que os seus sintomas são provenientes de um ataque de ansiedade, não configurando uma condição clínica grave com risco de morte iminente (no caso de ataques relacionados a transtornos psiquiátricos), no reforço de que a crise é realmente intensa, muito desagradável e causa mal-estar muito forte. Deve-se reforçar o caráter passageiro (cerca de 10-30 minutos) do ataque e, especialmente, instruir ao paciente para que ele respire pelo nariz e não pela boca, enfatizando a importância de ele tentar controlar a frequência de inspirações no intuito de não hiperventilar. Em grande parte das vezes, a tranquilização rápida e o caráter autolimitado dos sintomas são suficientes cientes para terminar com a crise. Nos pacientes com sintomas predominantemente respiratórios, relacionados provavelmente a hiperventilação, o paciente é instruído a respirar com o diafragma e limitar o uso da musculatura intercostal. Deve-se estimulá-lo a respirar lentamente até que os sintomas de hiperventilação desapareçam. Algumas técnicas de relaxamento também podem ser utilizadas. Por exemplo, pode-se instruir o paciente a permanecer deitado, com os olhos fechados, respirando lenta e profundamente, tentando relaxar os diferentes grupos musculares e concentrando-se em um cenário tranquilo. No entanto, se a crise for muito intensa ou de tempo prolongado, o uso de psicofármacos pode ser aconselhado.

De acordo com Campiglia (2004) Vectore (2005) e Silva (2007) a Medicina Chinesa  e portanto a própria acupuntura tem como base o princípio de que o indivíduo precisa estar em harmonia com as forças primordiais da natureza, que os chineses chamam de YIN e YANG (dois princípios opostos e complementares que compõem todo o universo), essa harmonia provoca um equilíbrio significativo a saúde, porém o desequilíbrio gera um processo patológico.

Para Reich (1974) as fórmulas mais importantes acerca do encontro entre o psíquico e o somático é a fórmula da energia, no conceito de “unidade funcional” ou “identidade básica”. Ele considera que a fonte de todos os acontecimentos humanos é a bionergia, o que significa que as atitudes corporais e as atitudes mentais-emocionais se correspondem, podendo substituir-se e influenciar-se mutuamente. Cada região do corpo possui um  determinado desempenho, pode emprestar-se para representar uma zona específica de conflito  energético entre o psíquico e o somático. Tais conflitos são cargas emocionais inclusas a episódios vitais do passado, os quais, mal “metabolizados”, fixam e atualizam-se, criando obstáculos diversos à vida. Quando mobilizados, podem liberar ou disseminar energia, promovendo a consciência das circunstâncias vividas, a expressão emocional, antes contida, e a organização de um novo modelo psico/ corporal.

Na Medicina Ocidental, a síndrome do pânico, pode ser tratada de algumas formas: através de drogas (tratamento clínico-medicamentoso), tratamento conservador, tais como, exercícios físicos e Psicoterapia.

2.2 Acupuntura como tratamento complementar da síndrome do pânico

O cuidado pela Medicina Chinesa, no que tange a acupuntura refere-se a cuidado holístico, ou seja, uma terapêutica que reconheça a conexão entre a mente, o corpo e o espírito.

O plano anatômico do organismo humano, a partir da tradição oriental da acupuntura, é permeado de sítios superficiais e profundos onde os meridianos e canais orgânicos cursam e possuem alta condutividade de potencial elétrico. Nestas regiões transitam o QI carreado de informações neuroquímicas específicas e com alto poder de auto-organização quando devidamente ligado um circuito terapêutico (SANTOS; LEITE; HECK, 2011).

Para Schwartz (p. 25, 2008) “o acuponto é determinado como um ponto da pele de sensibilidade espontânea ao estímulo e à resistência elétrica reduzida. Possui um diâmetro de 0,1 a 5 cm, entretanto é uma área de condutividade elétrica amplamente aumentada comparada às áreas da pele ao redor”. Tais pontos, estão localizados próximos a articulações e bainhas tendíneas, vasos, nervos, e septos intramusculares, na ligação músculotendínea, nos locais de maior diâmetro do músculo e nas regiões de penetração dos feixes nervosos da pele   quando um ponto de acupuntura é puncionado, ocorre sensação de parestesia elétrica ou calor, denominada como “D e QI”  (HWANG e EGERBACHER, 2006).

O tratamento pela acupuntura fortalece o organismo, reduzindo a necessidade de medicamentos. Compreende a integração mente-corpo como um círculo de interação entre os sistemas internos e os aspectos emocionais, passível de ser consolidado através da Essência,  o QI e a Mente (AUTEROCHE; NAVAILH, 1992).

A cura ocorre quando o QI (força vital) do indivíduo é mobilizado e corrigido, de maneira a restituir o correto fluxo da energia. A visão holística adotada pela Medicina Tradicional Chinesa destaca que os pensamentos e as emoções influenciam diretamente na força vital, aumentando, ou ao contrário, o fluxo de energia pelo corpo. Tal processo é   considerado uma via de mão-dupla, pois  o psiquismo não pode ser separado dos órgãos. As   perturbações psíquicas, concernentes às emoções, podem perturbar diretamente os órgãos e as alterações orgânicas podem agir sobre o psiquismo. O psiquismo é o YANG, depende da energia YANG oriunda do ar e da luz, no entanto o psiquismo é alimentado pela força YIN, proveniente dos alimentos e da terra. Considerando que o fluxo do QI influencia a psique, tem-se que as emoções locadas nos órgãos atuam causando insuficiências ou plenitudes.

O Coração, o órgão mais YANG dos órgãos, é a sede da mente, age sobre a vida intelectual, equilibrando a razão e mantendo a energia mental. O Baço-Pâncreas atua sobre o consciente, facilitando a concentração do pensamento e a compreensão.  O Rim, o órgão mais YIN, é o gerador de energia, atua sobre os processos de tomada de decisão, conservando a vontade e a vitalidade. O Fígado, considerado a sede das emoções da alma, mantém o livre fluxo da energia do corpo, atuando sobre a ação, a inveja e o ciúme. O Pulmão capta a energia vital, atuando na defesa do organismo e nas perdas afetivas e o vaso-governador e o vaso-concepção atuam sobre a percepção da realidade (CAMPIGLIA, 2004).

Os sentimentos que causam plenitude, excessos de YANG são identificados pelo descontentamento, pesar, obsessão, preocupação, como também pelo silêncio e pela ociosidade. Os sentimentos que causam insuficiência, vazio de YIN, são identificados pela alegria, medo e fadiga. A acupuntura contempla cinco emoções: alegria, tristeza, reflexão, cólera e medo, o estado de saúde está condicionado à harmonia entre as cinco emoções, as alterações emocionais levam aos quadros de excesso ou deficiência (VECTORE, 2005).

Castro (2007) afirma que as principais causas da síndrome do pânico são: deficiência do JING dos Rins; Deficiência de QI e de Sangue; Deficiência do QI do Fígado e da Vesícula Biliar; Deficiência do QI do Coração e da Vesícula Biliar; Fogo do Coração e
e Sobrecarga do Fígado. Essas seis possibilidades não são restritivas o paciente pode apresentar uma ou mais dessas ou ainda outras síndromes, isoladamente ou em conjunto. Uma vez identificadas às causas, a terapêutica pode ser elaborada em acupuntura.

Os princípios terapêuticos:

  • Tonificar a energia XUE e QI do Rim
  • Sedar YANG do Coração
  • Eliminar/ nutrir as mucosidades
  • Tonificar o QI do Coração
  • Tonificar YIN do Rim

Os pontos principais:

  • VB20 – Elimina os ventos emocionais e relaxa a musculatura cervical
  • F3 – Elimina os ventos emocionais e acalma a mente
  • YIN TANG – Acalma a mente. Estimula a concentração
  • C7 – Complementa a ação do YIN TANG, fortalecendo o SHEN
  • VG20 – Canaliza a energia e alinhando os CHAKRAS
  • VB21 – Dispersa a estagnação de energia nos 3 aquecedores (ansiedade no aquecedor superior causa palpitação. No aquecedor médio, causa gastrite. No inferior, constipação)

Para complementar o tratamento utiliza-se os pontos:

  • VC17 – quando a ansiedade é localizada no aquecedor superior
  • VC12 – para ansiedade no aquecedor médio
  • VC4 – para ansiedade no aquecedor inferior (VECTORE, 2005) (LIAN, et al, 2005) (MACIOCIA, 1995) (ROSS, 2003).

 

 

3 CONCLUSÃO

 

A pesquisa bibliográfica realizada sobre a síndrome do pânico veio com o intuito de esclarecer esta doença que aflige muitas pessoas, embora ainda seja desconhecida ou pouco divulgada para a população em geral.

Na pesquisa pôde-se perceber o quanto é importante à utilização de tratamento combinado associando outros tipos de tratamento e acupuntura. Tais tratamentos propiciam efeitos benéficos e também em curto prazo. Ficou claro que houve um grande avanço no tratamento da síndrome do pânico, tendo em vista, que os se percebem capacitados para enfrentar tal situação e se dêem conta de que são capazes de viver suas vidas.

As pesquisas salientam que o tratamento com acupuntura são satisfatórios, porém, a recidiva dos sintomas é fato muito comum. Logo, o tratamento necessita ser feito no controle dos sintomas e um acompanhamento deve ser feito por longo tempo, pois os fatores de tensão, ansiedade e de estresse nunca serão extintos da vida.

A Acupuntura mostrou-se promissora no tratamento da síndrome do pânico gerando efeitos como a liberação de substâncias na circulação sistêmica que proporcionaram aos pacientes relaxamento muscular e psicológico, diminuição da frequência cardíaca e das percepções desconfortáveis de medo e insegurança, melhora do sono e da qualidade de vida.

Os transtornos ansiosos são os distúrbios psiquiátricos mais frequentes nos sistemas primários de saúde, os indivíduos acometidos pela síndrome do pânico apresentam complicações e consequências decorrentes dos repetidos ataques de pânico.

A doença pode evoluir com comorbidades, aumentando a gravidade e a incapacitação do paciente. A agorafobia (medo de lugares onde a fuga ou o socorro estejam indisponíveis no caso de ocorrer uma crise de pânico), depressão (elevação do risco de suicídio, faltas ao trabalho), sintomas hipocondríacos (leva ao uso excessivo do sistema de saúde), abuso de substâncias psicoativas (devido a redução da ansiedade antecipatória) estão frequentemente associadas.

 Cabe ressaltar, que é necessário que o profissional de enfermagem amplie o seu ramo de atuação, considerando a pratica da acupuntura uma possível assistência de enfermagem complementar não só na síndrome do pânico como também outras patologias.

 

 

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 

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