TRATAMENTO DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO ATRAVÉS DA ACUPUNTURA

TRATAMENTO DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO ATRAVÉS DA ACUPUNTURA
0 17/08/2017

TRATAMENTO DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO ATRAVÉS DA ACUPUNTURA

 Autor: Fabíola Marchon de Oliveira Fontenele

 

 

Resumo

A Depressão Pós-Parto (DPP) é o segundo transtorno pós-parto com prevalência de 12 a 19% de acordo com trabalhos nacionais. A terapêutica baseia-se em psicoterapia, medicamentos, acupuntura, massoterapia, eletroconvulsoterapia entre outros. Porém a acupuntura tem sido utilizada para o tratamento da depressão com resultados favoráveis, pois aumenta os níveis de serotonina e evita efeitos colaterais dos antidepressivos tricíclicos. Além disso, estudos demonstram que a acupuntura reage fisiologicamente no organismo liberando substâncias como endorfina no cérebro. Este estudo buscou através de levantamento de dados uma revisão bibliográfica científica por meio de revistas, artigos, livros e dissertações de mestrado, com os objetivos de compreender os tratamentos da DPP. Esta patologia corresponde a um transtorno mental importante e muito recorrente nas puérperas. Para a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a DPP esta relacionada a uma deficiência de sangue causada pelo reforço e perda de sangue durante o parto. Quando a deficiência de sangue se prolonga outras condições podem aparecer como a predisposição de yin e ao vazio do coração levando a uma depressão e ansiedade mais severa e se apresentar além de depressão, comportamento obsessivo ou psicótico, o padrão é sangue estagnado. Através desta pesquisa pode-se visualizar melhor os benefícios da acupuntura como tratamento na DPP, pois trata corpo e mente, sendo um tratamento muito promissor.

Palavras-chave: depressão pós-parto, tratamento, acupuntura.

 

Abstract

Postpartum Depression (PPD) is the second postpartum disorder with a prevalence of 12 to 19% according to national studies. The therapy is based on the psychotherapy, medication, acupuncture, massage therapy, electroconvulsive therapy among others. However acupuncture has been used for the treatment of effects of tricyclic antidepressants. Furthermore, studies show that acupuncture reacts physiologically in the body by releasing chemicals like endorphins in the brain. This study sought to survey data through a literature review by scientific journals, articles, books dissertations and master’s degrees, in order to understand the treatment of PPD, to identify the effects of acupuncture and review the reasons why the DPP. This condition corresponds to a mental disorder important and recurrent in postpartum women. For Tradition  Chinese Medicine (TCM), the DPP is a deficiency  of blood caused by stress and blood  loss during delivery. When the blood deficiency extends other conditions may appear as the predisposition of yin and emptiness of the heart leading to a more severe depression  and anxiety and perform as well as depression, obsessive behavior or psychotic, the default is stagnant blood. Through this study we can better see the benefits of acupuncture as a treatment in the DPP, as this body and mind, being a very promising treatment.

Keywords: postpartum depression, treatment, acupuncture.

 

Introdução

O período puerperal é uma fase de grande importância e que exige cuidados especiais à mulher. É marcado pela experiência de gerar, parir, cuidar e por varias alterações físicas e emocionais. Segundo BARROS (2002), o puerpério é definido como o período que vai da dequitação à volta do organismo materno às condições pré-gravídicas. Este processo tem duração de aproximadamente de 6 a 8 semanas. Esse período está dividido em três fases:

  1. Imediato (1º ao 10º dia após o parto);
  2. Tardio (11º ao 45º dia);
  3. Remoto (a partir do 46º dia).

Essas fases são marcadas por um período rico e intenso de vivências emocionais para a puérpera. As transformações do corpo, as mudanças hormonais, a adaptação ao bebê, a amamentação, a nova vida, as noites mal dormidas, a carência afetiva, uma menor atenção à mãe e um menor apoio familiar e social nesse período de adaptação e de grandes exigências e todas as outras modificações, tornam a mulher mais vulnerável a desencadear um transtorno mental.  De acordo com Rocha (1999), os transtornos mentais pós-parto incluem a Depressão pós-parto (DPP), que podem ser iniciados ou precipitados pelo parto e diferem entre si principalmente pelo grau de severidade. Estão divididos em: Tristeza pós-parto, psicose pós-parto e depressão pós-parto.

Rodle Lap (1996) mostra em seus estudos que esse quadro é considerado normal e essencial para o alívio da ansiedade após parto, apresentando-se de uma forma leve e de prognóstico benigno. A psicose pós-parto, é considerados o mais grave e dramático transtorno psiquiátrico do pós-parto, ocorre em cerca de um a dois partos a cada mil partos. Tem início nas três primeiras semanas de puerpério. A sintomatologia é inicialmente aguda, ocorrendo além do quadro depressivo, crises psicóticas.

Silva (2002), afirma que a depressão pós-parto (DPP), é caracterizada por apresentar quadros depressivos não psicóticos e que muitas vezes por terem o início menos agressivo, podem não ser reconhecidos e até ser ignorados pelos profissionais da saúde. Trata-se então, de um quadro depressivo com uma alta incidência e que pode trazer consequências tanto para as mães como as crianças.  De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão atinge 8,5% da população brasileira. As mulheres estão mais suscetíveis ao distúrbio – uma para cada dois homens – e a gravidez pode complicar o quadro, segundo dados globais de Plano de Ação a Saúde Mental 2013 – 2020 da OMS, divulgado em maio de 2013, uma para cada cinco mulheres que dão a luz sofrem depressão pós-parto.

A terapêutica se baseia-se em métodos semelhantes aos usados para transtornos depressivos estes métodos são: psicoterapia, medicamento, acupuntura, massoterapia, eletroconvulsoterapia e internamento em casos especiais (Santos et al., 2009 e CAMACHO et al., 2006).

A acupuntura tem sido empregada no tratamento da depressão com resultados favoráveis. Segundo um estudo feito por Manber et. Al. (2004), o tratamento realizado com acupuntura teve resultados positivos para o quadro depressivo durante a gravidez.

As técnicas e recursos terapêuticos tradicionais utilizados na DDP como a: psicoterapia, os fármacos, fitoterapia, Do In, massoterapia, também trazem benefícios no tratamento contra a DPP, também são amplamente utilizados.

Este trabalho tem como objetivos compreender os tratamentos da depressão pós-parto, identificar os efeitos da acupuntura neste quadro clínico e revisar os motivos que levam a depressão pós-parto.

 

DEPRESSÃO PÓS-PARTO NA VISÃO OCIDENTAL

A depressão pós-parto é identificada na literatura desde Hipócrates, onde notou-se uma associação entre o período de pós-parto e o transtorno do humor.

Rocha (1999) o conceito da DPP também é entendido como uma depressão atípica que apresenta como características a proeminência de sintomas neuróticos, como a ansiedade, a irritabilidade que muitas vezes encobrem a depressão e também a presença de algumas características  e sintomas opostos ao da Depressão Clássica, como a piora ao fim do dia e a insônia inicial que acomete principalmente as puérperas jovens ou de personalidade imatura.

Depressão no uso habitual pode significar tanto um estado afetivo normal, quanto um sintoma ou síndrome que inclui alterações de humor, cognitivas, psicomotoras e vegetativas. A DPP é um transtorno mental que provoca alterações emocionais, cognitivas, comportamentais e físicas (SANTOS et al., 2009).

A tristeza materna é um transtorno autolimitado, com início nas duas primeiras semanas após o parto, com incidência de 50% a 80%, podendo ser considerada um fator de risco para depressão no primeiro ano após o parto (RUSCHI et al., 2007). O Ministério da Saúde relata a presença de impulsos suicidas em mães com o diagnóstico de DPP e que levou a 97 mortes por suicídio associado à patologia em questão (ARRAIS, 2005).

A depressão pós-parto tem uma etiologia multifatorial e certos fatores predispostos devem ser destacados como: história familiar de depressão, gravidez não desejada, depressão perinatal prévia, alterações do sono no periparto entre outros, devem aumentar a vigilância e se necessário recomendar terapia preventiva nos casos mais graves, como história de negligência grave, ideação suicida e infanticida (VERAS et al., 2008).

Camacho et al., (2006), aponta também fatores: idade inferior a 16 anos, história de transtorno psiquiátrico prévio, conflitos conjugais, estado civil e posição social. Outros fatores de risco também foram apontados como personalidade vulnerável (pouco responsáveis ou organizadas), sexo do bebê (oposto ao desejado), suporte emocional deficiente, entre outros.

Trabalhos nacionais apontam a prevalência de depressão pós-parto com uma variação entre 12 e 19% de casos. Esses dados são compatíveis com a literatura internacional de 10 a 20 % (RUSCHI et al., 2007).

No Brasil encontrou-se uma frequência de 13,4% de DPP em uma amostra de puérperas de nível socioeconômico elevado e em São Paulo a prevalência de DPP é de 37, 1% em média (ARRAIS, 2005).

A depressão pode ser de moderada a severa, sendo que o quadro clínico da DDP corresponde a um quadro de depressão maior com início em quatro semanas após o parto. Os sintomas devem permanecer no mínimo por duas semanas afetando a vida de puérpera. Os sintomas: humor deprimido, insônia ou hipersônia, fadiga ou perda de energia, sentimento de inutilidade, culpa excessiva, pensamento recorrente de morte, dificuldade de concentração e tentativa de suicídio (SANTOS et al., 2009 e GUARIENTO, 2001).

Segundo Ruschi (2007), para ser diagnosticada como DDP a puérpera deve ter no mínimo cinco sintomas: humor deprimido, anedonia, mudanças de peso ou apetite ou outros já citados.

O diagnóstico pode ser efetivado através da Escala de Depressão Pós Parto de Edimburgo, a mais utilizada para identificar os sintomas depressivos manifestados após o parto, traduzida em 24 idiomas (RUSCHI et al., 2007).[1]

 

DEPRESSÃO PÓS-PARTO NA VISÃO ORIENTAL

Maciocia (2000) pontua que a depressão pós-natal é facilmente explicada na medicina chinesa: o esforço e perda de sangue que ocorrem no parto induzem ao estado de deficiência do Sangue; como o Coração aloja a Mente e governa o Sangue, o Sangue do Coração se torna deficiente, a Mente não tem residência e se torna deprimida e ansiosa. Isto causa estado de depressão moderada, insônia e fadiga; ao nível mental a mãe se sente incapaz de reagir, fica chorosa, perde a libido, e pode se sentir raivosa ou culpada. A partir da deficiência do Sangue, outras condições podem se desenvolver após algum tempo, e em mulheres que têm predisposição à deficiência do Yin, a deficiência do Sangue pode originar-se a deficiência de Yin  e ao Vazio do Coração. Isto pode causar uma condição mais severa de depressão com ansiedade mais intensa e, insônia, inquietude mental e agitação. As condições de comportamento neurótico, obsessivo, fóbico ou psicótico após o parto são comumente causadas pelo Sangue estagnado incomodando a Mente (e não do Calor-Muco mais comum). Em tais casos, a mulher não só fica deprimida, mas também confusa, ela pode exibir comportamento obsessivo ou fobias, e em casos extremos, pode manifestar um comportamento psicótico ou mesmo esquizofrênico. Ela pode ficar agressiva e ofensiva, ter alucinações e desilusões e manifestar tendência ao suicídio e mesmo albergar pensamentos destrutivos contra seu bebê.

 

PATOLOGIA

Deste modo, a patologia da Depressão Pós-Natal está centrada no Sangue: é causada tanto por uma deficiência do Sangue, como por tal deficiência que se converteu em deficiência do Yin, ou estase do Sangue. O principal órgão envolvido é sempre o Coração; na deficiência do Yin do Coração ou na estase do Sangue do Coração, respectivamente. Entretanto, outros órgãos estão também envolvidos: um estado de deficiência do Sangue do Coração após o parto quase sempre envolve  a deficiência do Sangue do Fígado, um estado de deficiência  do Yin do Coração  é frequentemente associado com deficiência  do Yin do Fígado e/ou do Rim; e um estado  de estase  do Sangue do Coração quase sempre é associado com estase do Sangue do Fígado dentro do Canal Chong Mai. (MACIOCIA, 2000)

Os princípios de tratamento principais adotados para a depressão pós-natal por deficiência de Sangue ou do Yin são, portanto, nutrir o Sangue ou o Yin e acalmar a Mente, e, na psicose pós-natal são acalmar a Mente, revigorar Sangue, eliminar a estase e abrir os orifícios da Mente com ervas. (MACIOCIA, 2000)

 

DIFERENCIAÇÃO E TRATAMENTO

Os padrões discutidos são três:

  • Deficiência do Sangue do Coração;
  • Deficiência do Yin do Coração;
  • Estase do Sangue do Coração.

 

Deficiência do sangue do coração

Manifestações clínicas

Depressão pós-natal, fadiga, ansiedade moderada, insônia, choro fácil, sensação de culpa, perda da libido, memória pobre, palpitações. Língua: Pálida e Fina. Pulso: Rugoso e Fraco no lado esquerdo, especialmente nas posições Média e Frente.

 

 

Princípio de tratamento

Nutrir o Sangue, fortalecer o Coração e levantar o ânimo.

 

Acupuntura

C-5 (Tongli), C-7 (Shenmen), VC-14 (Junque), VC-15 (Jiuwei), B-15 (Xinshu), F-8 (Ququan), VG-20 (Baihui), VC-4 (Guanyuan), E-36 (Zusanli), BP-6 (Sanyinjiao), VG-19 (Houding), MC-6 (Neiguan). Todos com o método de reforçar, exceto VG-19 que pode ser inserido com o método de nivelamento. Moxa é aplicável.

 

Explicação

C-5 e B-15 tonificam o Qi do Coração.

C-7, VC-14 e VC-15 nutrem o Coração e acalmam a Mente.

VG-20 levanta o ânimo e alivia a depressão.

F-8 nutre o Sangue do Fígado.

VC-4, com cones de moxa, nutre o Sangue e fortalece o Útero.

E-36 e BP-6 nutrem o Sangue. Eles são particularmente eficazes com agulha quente.

VG-19 acalma a Mente; ele é particularmente eficaz combinado com VC-15.

MC-6 acalma a Mente e levanta o ânimo.

 

DEFICIÊNCIA DO YIN DO CORAÇÃO

Manifestações clínicas

Depressão pós-natal, insônia (acordando frequentemente durante a noite), inquietude mental, sensação de culpa, exaustão, hipogalactia, palpitações, perda da libido, sensação de calor à noite, sudorese noturna. Língua: Vermelha sem revestimento, com uma rachadura do Coração. Pulso: Flutuante-Vazio.

 

Princípio de tratamento

Nutrir o Yin, tonificar o Coração, aclamar a Mente.

Acupuntura

C-7 (Shenmen), C-5 (Tongli), MC-7 (Daling), VC-14 (Juque), VC-15 (Jiuwei), VG-19 (Houding), VG-24 (Shenting), VC-4 (Guanyuan), F-8 (Ququan), BP-6 (Sanyinjiao). Todos com método de reforçar, exceto para os pontos sobre a cabeça que deveriam ser inseridos com o método de nivelamento. Sem moxa.

 

Explicação

C-7, MC-7, VC-14 e Vc-15 acalmam a Mente e nutre o Coração.

C-5 tonifica o Coração.

VC-4, F-8 e BP-6 nutre o Yin.

VG-19 e VG-24 acalma a Mente.

 

 

ESTASE DO SANGUE

Manifestações clínicas

Depressão pós-natal, comportamento maníaco, xingar pessoas, comportamento agressivo, desilusões, alucinações, pensamento suicidas, destrutivos, falta de vinculo com o bebê. Língua: Púrpura. Pulso: em Corda, Rápido.

 

Princípio de tratamento

Revigorar o Sangue, eliminar a estase, dominar o Qi rebelde no Canal Chong Mai, acalmar a Mente, abrir os orifícios da Mente.

 

Acupuntura

MC-7 (Daling), VC-17 (Zhengying), VB-18 (Chengling), VG-24 (Shenting), VC-14 (Juque), B-15 (Xinshu), BP-4 (Gongsun) (lado direito) e MC-6 (Neiguan) (lado esquerdo), R-1 (Yong-quan), F-3 (Taichong), B-17 (Gesuh), BP-10 (Xue-hai). Todos com o método de redução.

 

Explicação

MC-7 e VC-14 acalmam a Mente, abrem os orifícios da Mente e nutrem o Coração.

VB-17 e Vb-18 abrem os orifícios  da Mente em casos de Mente Obstruída.

VG-24 acalma a Mente.

B-15 limpa o Coração e acalma a Mente.

BP-4 e MC-6 regulam o Canal Chong Mai, revigoram o Sangue e dominam o Qi rebelde.

F-3 revigora o Sangue e domina o Qi rebelde e o Sangue no Canal Chong Mai.

R-1 acalma a Mente e domina o Qi rebelde.

B-17 e BP-10 revigoram o Sangue e eliminam a estase.

A DPP geralmente tem início lento e a investigação clínica deve ser realizada, pois episódios não tratados podem se tornar severos. Por isso são indicados tratamento tanto farmacológico quanto psicoterapêutico (GUARIENTO,2001).

Vectore (2005) mostra que abordagens alternativas em quadros de DPP apresentou acupuntura como tratamento alternativo, mostrando que a técnica tem sido importante aliada ao tratamento.

Manber  (2004) relata que mulheres gestantes com depressão submetidas a acupuntura comparadas a grupos – controle com tratamento não direcionado aos sintomas de depressão, onde concluíram que a acupuntura contribui para a melhora do quadro depressivo.

A acupuntura tem um grande potencial terapêutico no tratamento da depressão, onde em estudo realizado demonstrou redução significativa da patologia. O mesmo autor relata que a eletroacupuntura  de frequência baixa (4Hz) leva à proopiomelamelanocortine, um precursor de hormônios como o adrenocorticotrófico e beta endorfina (VÁZQUEZ et al., 2011).

Vectore (2005), relata que um estudo feito com acupressão (Do In) no ponto Extra 1 por dez minutos obteve uma redução os escores relacionados ao stress verbal e o efeito da inserção de agulhas no ponto C7 também foi satisfatório na redução do stress psicológico.

 

Escala de Edimburgo

Instruções. Você teve há pouco tempo um bebê e nós gostaríamos de saber como você está se sentindo. Por favor, marque a resposta que mais se aproxima do que você tem sentindo NOS ÚLTIMOS SETE DIAS, não apenas como você está se sentindo hoje.

Aqui está um exemplo já preenchido:

Eu tenho me sentindo feliz:

  • Sim, todo o tempo.
  • Sim, na maior parte do tempo.
  • Não, nem sempre.
  • Não, em nenhum momento.

Esta resposta quer dizer: ”Eu me senti feliz na maior parte do tempo” na última semana.

Por favor, assinale as questões seguintes do mesmo modo.

Nos últimos sete dias:

  1. Eu tenho sido capaz de rir e achar graça das coisas.
  • Como eu sempre fiz.
  • Não tanto quanto antes.
  • Sem dúvida menos que antes.
  • De jeito nenhum.

 

  1. Eu sinto prazer quando penso no que está por acontecer em meu dia-a-dia.
  • Como sempre senti.
  • Talvez menos do que antes.
  • Com certeza menos.
  • De jeito nenhum.

 

  1. Eu tenho me culpado sem necessidade quando as coisas saem erradas.
  • Sim, na maioria das vezes.
  • Sim, algumas vezes.
  • Não, muitas vezes.
  • Não, nenhuma vez.

 

  1. Eu tenho me sentindo ansiosa ou preocupada sem uma boa razão.
  • Não, de maneira alguma.
  • Pouquíssimas vezes.
  • Sim, alguma às vezes.
  • Sim, muitas vezes.

 

  1. Eu tenho me sentido assustada ou em pânico sem um bom motivo.
  • Sim, muitas vezes.
  • Sim, algumas vezes.
  • Não, muitas vezes.
  • Não, nenhuma vez.

 

  1. Eu tenho me sentido esmagada pelas tarefas e acontecimentos do meu dia-a-dia.
  • Na maioria das vezes eu não consigo lidar bem com eles.
  • Algumas vezes não consigo lidar bem como antes.
  • Não. Na maioria das vezes consigo lidar bem com eles.
  • Não. Eu consigo lidar com eles tão bem quanto antes.

 

  1. Eu tenho me sentido tão infeliz que tenho tido dificuldade de dormir.
  • Sim, na maioria das vezes.
  • Sim, algumas vezes.
  • Não, muitas vezes.
  • Não, nenhuma vez.

 

  1. Eu tenho me sentido triste e arrasada.
  • Sim, na maioria das vezes.
  • Sim, muitas vezes.
  • Não, muitas vezes.
  • Não, de jeito nenhum.

 

  1. Eu tenho me sentido tão infeliz que tenho chorado.
  • Sim, quase todo o tempo.
  • Sim, muitas vezes.
  • De vez em quando.
  • Não, nenhuma vez.

 

  1. A ideia de fazer mal a mim mesma passou por minha cabeça.
  • Sim, muitas vezes, ultimamente.
  • Algumas vezes nos últimos dias.
  • Pouquíssimas vezes, ultimamente.
  • Nenhuma vez.

 

As respostas são classificadas com 0, 1, 2, e 3 pontos, de acordo com a severidade crescente dos sintomas. As perguntas assinaladas com (*) são classificadas do modo inverso (3, 2, 1 e 0). O resultado final é obtido pela soma da classificação obtida em cada questão. A somatória dos pontos perfaz escore de 30, sendo considerado de sintomatologia depressiva valor igual ou superior a 12, como definido na validação da escala.

 

CONCLUSÃO

O objetivo deste estudo foi compreender os tratamentos da depressão puerperal, identificar os efeitos da acupuntura e rever os motivos a DPP. A partir desses objetivos foram analisados publicações científicas onde observou-se que a DPP tem grande prevalência, cerca de 12 a 19% segundo dados nacionais. É que segundo dados globais do Plano de Ação a Saúde Mental 2013-2020, 1 para cada 5 mulheres que dão à luz sofre de DPP. Os motivos que levam a DPP pode ser uma combinação de fatores psicológicos, psicossocial, obstétrico, hormonal e hereditário. A DPP pode ser de moderada a severa e os sintomas são: humor deprimido, insônia ou hipersonia, fadiga, culpa e até tentativa de suicídio.

A acupuntura segundo dados levantados tem mostrado resultados favoráveis no tratamento da DPP. Sendo assim, a acupuntura tem grande potencial terapêutico no tratamento, levando a redução significativa da patologia. Estudos mostram que a estimulação dos pontos de acupuntura específicos para depressão liberam noripinefrina no Sistema Nervosa Central, que em pacientes depressivos tem altas concentrações.

A depressão, segundo a MTC, é tratada através dos métodos de nutrir o coração e acalmar a mente, regulando a energia e o sangue. Assim, age sobre os sistemas monoaminérgicos no cérebro que como antidepressivo. Além disso, a relação de hormônios adrenocorticotrófico (ACTH) e cortisol sugerem que a eletroacupuntura ativa o eixo hipotalâmico hipofisário adrenal (HPA), também interfere nos sistemas de neurotransmissores, tais como B- endorfinas, monoaminas, noradrenalina e serotonina.

Através desta pesquisa pode-se visualizar melhor os benéficos da acupuntura como tratamento na DPP, pois trata corpo e mente, sendo um tratamento muito promissor.

Este estudo permitiu agregar novas informações e entender o potencial da acupuntura no tratamento da DPP, mesmo havendo dificuldade de levantamento bibliográfico sobre o assunto e protocolos de tratamentos, sugerindo futuras pesquisas de campo.

 

 

Referências

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[1] Para maior informação sobre o teste que deu origem as reflexões do trabalho em questão: ver anexo p. 15.