ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DA LOMBALGIA

ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DA LOMBALGIA
0 17/08/2017

ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DA LOMBALGIA

Autor: Carlos Augusto Vieira Santos

 

Resumo

A lombalgia é uma das queixas mais comuns da prática clínica. No Ocidente, estima-se que aproximadamente 50 milhões de pessoas por ano são atendidas nos serviços de saúde, sendo considerado um grande problema de saúde pública. A multiplicidade de fatores causais da dor lombar aumenta a morbidade, sendo um dos fatores de destaque no absenteísmo e repercute na vida sócio-econômica do indivíduo. Em geral as dores lombares demoram a desaparecer e são recorrentes ao longo dos anos, o que constitui um transtorno aos pacientes. O objetivo deste estudo foi o de levantar evidências científicas da eficácia da acupuntura para o tratamento de lombalgias através de pesquisas bibliográficas em banco de dados. Foram selecionados 13 artigos que abordavam a etiologia e o tratamento da lombalgia e evidências científicas sobre o tratamento com acupuntura. As buscas foram concentradas sem restrição de data. Os artigos apresentados são de grande importância para a utilização da acupuntura no tratamento lombalgia, mesmo apresentando variadas e diversas metodologias, os artigos apontam para um tratamento seguro e eficaz. É possível concluir que, dentre os 13 artigos abordados, há evidências que a utilização da acupuntura apresenta eficácia no tratamento das lombalgias.

Palavras-chave: acupuntura, lombalgia, dor

 

Abstract

Low back pain is one of the most common complaints in clinical practice. In the West, it is estimated that approximately 50 million people per year are treated in health services, and is considered a major public health problem. The multiplicity of causal factors of low back pain increases morbidity, one of the prominent factors in absenteeism and affects the socio-economic life of the individual. In general lower back pain disappears and slow to recur over the years, which is an inconvenience to the patients. The aim of this study was to raise scientific evidence of the effectiveness of acupuncture for the treatment of low back pain through literature searches in the database. We selected 13 articles that addressed the etiology and treatment of low back pain and scientific evidence on acupuncture treatment. The searches were concentrated without date restriction. The articles presented are of great importance for the use of acupuncture in low back pain treatment, even with varied and diverse methodologies, the articles point to a safe and effective treatment. It was concluded that, among the 13 articles discussed, there is evidence that the use of acupuncture is efficacious in the treatment of low back pain.

Keywords: Acupuncture, Low back pain, pain

 

 

  1. Introdução

A lombalgia é uma das queixas mais comuns da prática clínica. No Ocidente, estima-se que aproximadamente 50 milhões de pessoas por ano são atendidas com esta queixa, sendo considerado um grande problema de saúde pública (GIL et al., 2011).  No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas apresentam incapacidade associada à dor lombar e pelo menos 70% da população terá algum episódio ao longo da vida. A prevalência relatada de dor lombar no Brasil varia de 60% a 80%, e os indivíduos na faixa etária compreendida entre 50 e 59 anos se sobrepõem entre 7,7% (SILVA; FASSA; VALLE, 2004). No Brasil, problemas relacionados à lombalgia são problemas de saúde pública, assim, o estudo é justificado pela alta prevalência na população, pelo impacto sócio-econômico gerado pelos casos de incapacidade física, processos álgicos e alta morbidade (FEITAL, 2010). Na maioria das vezes a lombalgia não decorre de doenças específicas. São causadas por um conjunto de fatores sócio-demográficos, comportamentais, ergonômicos e nutricionais (SILVA; FASSA; VALLE, 2004). A multiplicidade de fatores causais da dor lombar aumenta a morbidade, sendo um dos fatores de destaque no absenteísmo e repercute na vida sócio-econômica do indivíduo. Em geral as dores lombares demoram a desaparecer e é recorrente ao longo dos anos, o que constitui um transtorno aos pacientes (LOESER, 1991).

Sendo a lombalgia uma síndrome multicausal, seu tratamento ideal pode ser complexo (SILVA; FASSA; VALLE, 2004). E, muitas vezes, oneroso para as camadas da população de baixa renda. Assim, a acupuntura apresenta-se como uma terapia de baixo custo e com resultados significativos no alívio da dor do paciente (KAWAKITA, 2006). O presente artigo faz uma abordagem do tratamento da lombalgia, principalmente em países industrializados, através da acupuntura, onde as dores lombares agudas ou crônicas são comuns na população (SILVA; FASSA; VALLE, 2004). A acupuntura é um sistema médico complexo integral, sem semiologia e diagnósticos específicos, sendo considerada uma parte integrante da medicina tradicional chinesa, praticada há 2.500 anos. A intervenção pela acupuntura consiste na inserção de agulhas para estímulos em determinados pontos da superfície corporal. Esses pontos fazem parte de uma rede de meridianos interconectados entre si e com órgãos, por onde flui a energia vital do organismo (Qi)Atuando sobre esses pontos, é possível interferir na função dos órgãos, buscando corrigir desequilíbrios no fluxo de energia, promovendo a melhora do Indivíduo (RIGO et al., 2011). Em 1912, o médico inglês Willian Osler descreveu o uso da acupuntura em sua primeira edição do The principles and practices of medicine, indicando-a como “o melhor tratamento” para a dor lombar (RIGO et al., 2011). Prática milenar, fazendo parte da chamada medicina tradicional chinesa, a acupuntura tem experimentado um aumento expressivo de adeptos, tanto em número dos que praticam, como em número dos que se submetem ao tratamento (LIN, HING e PAI, 2008).

Para este estudo, a metodologia adotada foi a pesquisa de artigos científicos publicados em sites da internet, além de livros específicos e revistas especializadas. A estratégia definida foi à busca cruzando palavras-chave: lombalgia, dor e lombalgia, tratamento e lombalgia, fisioterapia e lombalgia, acupuntura e lombalgia e seus similares, e em língua inglesa back pain, low back pain, treatment low back, physioteherapy low back e acupunture low back pain. Os estudos selecionados sobre os tratamentos para lombalgia com acupuntura foram coletados e organizados. Foram incluídos artigos que abordavam a etiologia e o tratamento da lombalgia e evidências científicas sobre o tratamento com acupuntura em pacientes acometidos pela lombalgia.

As buscas foram concentradas sem restrição de data e local.

Dentre os artigos selecionados, 13 preencheram os critérios de inclusão para o desenvolvimento deste estudo.

Cabe destacar ainda que este esforço investigativo visa levantar evidências científicas da eficácia da acupuntura no tratamento de lombalgias em diversos estudos com pacientes submetidos ao tratamento de lombalgias através de pesquisas bibliográficas em banco de dados da internet, livros e revistas especializadas.

 

  1. Lombalgia

 2.1 Lombalgia – Visão Ocidental

Denominada lombalgia, a dor que acomete as regiões lombares inferiores, lombo-sacrais ou sacrilíacas da coluna lombar.

Na Medicina Ocidental as causas da lombalgia são diversas, inespecíficas e associadas à desestruturação do sistema osteoligamentar, processos inflamatórios, degenerativos e tumorais. Normalmente acompanhada de dor irradiada para as nádegas ou para as pernas pela distribuição do nervo ciático (dor ciática). Ocidentalmente, pode ser classificada como aguda ou crônica, dependendo do tempo de presença dos sintomas e do quadro que o indivíduo apresenta. Tanto as lombalgias agudas ou crônicas podem ser incapacitantes para as atividades cotidianas, laborais, recreativas e esportivas. A lombalgia aguda é produzida por lesões nos ligamentos ou músculos da região lombar da coluna, por lesões nos discos invertebrais e por fratura nas vértebras – podendo ser associada à osteoporose, má formação, tumores, traumas. Os sintomas e a intensidade da dor lombar variam de indivíduo para indivíduo. Pode ser uma dor leve e com incômodo, ou intensa e incapacitante. Na lombalgia aguda a dor começa subitamente. Nas lombalgias crônicas as causas podem ser tumores, doenças infecciosas e metabólicas, porém na maioria dos casos sua origem pode ser a sobrecarga dos ligamentos da coluna, ocasionada pelo desgaste dos discos invertebrais por defeitos congênitos, flacidez da musculatura, postura inadequada durante a atividade laboral ou esportiva.

Outros sintomas que preocupam e podem estar associados à dor lombar são: perda ou diminuição da capacidade evacuatória ou miccional, perda da sensibilidade cutânea abaixo do quadril, perda da capacidade sexual, febre, calafrios, perda de peso, dores ou fraqueza nas pernas e pequenos traumas.

 

2.2 Lombalgia – Segundo a Medicina Chinesa

                           Segundo a Medicina Chinesa as formas de lombalgia têm origem na deficiência de Shen Qi e na deficiência ou estagnação nos canas de energia que passam pela região lombar. Estes canais podem ser acometidos pela obstrução na circulação da energia na região, o que resultará na estagnação de Qi e Xue.

O Qi Pré-celestial de cada um é formado pela união da Essência (Jing) dos pais no ato da concepção. A constituição dessa Essência dependerá da qualidade do Jing dos pais. Assim, o Jing poderá ser fraco pela constituição dos pais, podem ser esgotados por patologias, ou por excesso de trabalho, excesso de exercícios físicos, desregramento sexual, partos, stress emocional, falta ou má qualidade de sono e pelo avanço da idade.

 

  1. Acupuntura

A acupuntura há pelo menos 2.000 anos vem sendo empregada. Faz parte da medicina chinesa e se baseia nos conceitos de Yin e Yang, Qi e dos meridianos (DAVIS, 2006).

Pelos princípios de Yin e Yang, os fenômenos que acontecem nos órgãos, podem ser explicados através de conceitos de superficial e profundo, de excesso e deficiência, de calor e frio. Assim, estando às energias Yin e Yang em harmonia, o organismo estará com saúde (WEN, 2013).

Segundo a medicina tradicional chinesa, a força básica de energia que flui por todos os seres vivos é chamada Qi. Esta energia flui pelo corpo e trafega ao longo de doze meridianos e dois meridianos secundários. Ao longo desses canais há 365 pontos de acupuntura. Uma das funções do Qi é fazer circular o Sangue, que segundo a medicina tradicional chinesa, é uma forma densa de Qi e outros fluídos corpóreos. Assim, quando houver qualquer estagnação de Qi e, ou Sangue, ocorrem desarmonias e dor. A função das agulhas de acupuntura é permitir a livre circulação do Qi, devolvendo a homeostase e a harmonização dos meridianos. Os sintomas ou a localização da dor determinam qual meridiano está afetado ou em desarmonia e quais devem ser tratados (LIN, HING; PAI, 2008).

A acupuntura é o conjunto de conhecimentos teórico-práticos da medicina chinesa que visa o tratamento e a cura de desarmonias através da inserção de agulhas e moxa (WEN, 2013).

A acupuntura induz o organismo a produzir esteróides, que diminuem o processo inflamatório e, também endorfinas, analgésicos naturais do corpo, melhorando a sensação de bem-estar, humor, qualidade do sono e o relaxamento global, contribuindo na diminuição do espasmo muscular e dor (MACIOCIA, 1996).

A acupuntura tem demonstrado eficácia nos mais diversos tratamentos, porém a falta de compreensão científica e metodológica tem sido fator de restrição de seu uso. Assim, o estudo da acupuntura reveste-se de grande interesse, pois dessa forma poderá demonstrar a eficiência destes conhecimentos, contribuindo para seu entendimento e incorporação nos tratamentos terapêuticos na medicina de forma geral. Contribuindo para o bem-estar humano (TABOSA et al., 2002).

 

  1. Etiologia da lombalgia segundo a Medicina Tradicional Chinesa

De acordo com Yamamura (1995) a MTC considera a região lombar e toda coluna vertebral dependente do Shen Qi. Assim, quando existe uma deficiência do Qi surge à condição básica para que haja alterações energéticas, funcionais e orgânicas na região.

Segundo a Medicina Chinesa, alguns fatores são importantes na prevenção e no aparecimento da dor lombar:

  • excesso de peso corporal;
  • trabalho excessivo;
  • atividade sexual excessiva;
  • parto e gravidez;
  • invasão externa de frio, vento e umidade do exterior;
  • infecções virais;
  • exercício físico inadequado (fora das condições ideais, fora dos grupos musculares que suportam a coluna, atividades que colocam a coluna sob stress excessivo, postura inadequada para a realização dos exercícios).
  • deficiência congênita dos rins;
  • traumatismo na região;
  • postura inadequada (estudo e trabalho e ao carregar peso e deitar-se);
  • fatores psicológicos ou emocionais;
  • eminência de risco à integridade da vida;
  • doenças crônicas, articulares e degenerativas (espondilite, osteoporose, esclerose múltipla, artrite, lesões ou deformidades na coluna).

 

 

  1. Desequilíbrio energético e as desarmonias nos Canais de Energia

Quando os canais que passam pela coluna são acometidos, temos a sintomatologia pertinente ao desequilíbrio do Canal, podendo manifestar a lombalgia e seus diversos sintomas.

Os 12 Canais Distintos estão relacionados com os Canais de Energia Principais e distribuem o Yang Qi e o Wei Qi por todo o corpo. A lombalgia pode apresentar sintomas de desarmonia de alguns Zang-Fu (órgãos e vísceras), especialmente com alguns de origem do Shen (mente/emoção). Pode se apresentar sintomatologia de desarmonia do Pang Guang (Bexiga) e Shen (Rim), com presença de dor à palpação na região lombar.

Segundo a Medicina Chinesa, a lombalgia se apresenta de formas distintas. A diferenciação é reconhecida a partir de desequilíbrios energéticos que acometerão os canais de energia principais, os meridianos. São as vias onde circula a energia vital (ancestral, nutridora e defensiva) – Qi e Xue. As agulhas de acupuntura são aplicadas nos pontos elencados na superfície corporal para harmonizar o fluxo do Qi e do Xue nos meridianos. Estes meridianos estão ligados mais profundamente aos Órgãos (Zang) e Vísceras (Fu) e se exteriorizam em pontos mais superficiais na pele, voltando a se aprofundar em seguida. Esta rede é formada por meridianos principais, extras, distintos, e outras ramificações e canais secundários.

 

  1. Meridianos envolvidos no tratamento da lombalgia e acupontos

 

6.1 Pontos do Meridiano do Rim

Funções do Canal – relação com o sistema urogenital, energia geral, tecidos nervosos e ósseos, respiração e audição, relação particular com a coluna vertebral e garganta.

Função do Zang – armazena a Essência regulando a manutenção do tônus vital, crescimento e desenvolvimento, produz medula (óssea e nervosa), recebe o Qi do ar, domina o metabolismo da água, abre-se nos ouvidos, manifesta-se nos cabelos e controla os orifícios.

Pontos principais:

  • R 3 – localizado na depressão entre a proeminência do maléolo medial e o tendão de Aquiles. Função: tonifica o Rim, nutre o Yin, estabiliza o Qi do Rim, protege o Jing Essencial e fortalece a região lombar e o joelho;
  • R 5 – 1 cun abaixo do R 3, numa reentrância do osso calcâneo. Função: desobstrui o Canal, fortalece o Rim e para a dor;
  • R 6 – depressão abaixo do maléolo medial. Função: nutre o Yin do Rim, regula o Yin Qiao, resfria o calor e o sangue e tranqüiliza o Shen;
  • R 7 – 2 cun acima do R 3, na margem anterior do tendão de Aquiles. Função: tonifica o Yang do Rim, drena a umidade (Calor ou Frio), regula a transpiração e fortalece a lombar.

 

6.2 – Pontos do Meridiano da Bexiga

Funções do Canal – relação com todo dorso do corpo; da região cervical a sacrococcígea – olhos, cabeça, fronte, alterações urinárias, relação particular com o aspecto emocional.

Funções Fu – armazena temporariamente os líquidos a serem excretados.

Pontos Shu (assentimento): relaciona-se com todos os órgãos e vísceras. São os melhores pontos para tratar deficiências crônicas. O canal lateral trata emoções e órgãos dos sentidos.

Pontos principais:

  • B 10 – 0,5 cun acima da inserção posterior do cabelo, numa depressão, no aspecto lateral do músculo trapézio. Função: ponto distal para os casos de dor lombar, relaxa os músculos, tendões e fortalece as costas;
  • B 25 – na região lombar, abaixo do processo espinhoso da 4ª vértebra lombar, 1,5 cun lateral à linha posterior média. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano, regula o livre fluxo do Qi e fortalece a região lombar;
  • B 26 – na região lombar, abaixo do processo espinhoso da 5ª vértebra lombar, 1,5 cun lateral à linha posterior média. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano, fortalece a lombar e regula o Jiao Inferior;
  • B 27 – no sacro, ao nível do 1º forame sacral posterior, 1,5 cun lateral à crista sacral mediana. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano;
  • B 28 – no sacro, ao nível do 2º forame sacral posterior, 1,5 cun lateral a crista sacral mediana. Função: dissipa a umidade e fortalece a região lombar e regula o Canal da Bexiga (Umidade, Calor, Frio e Estagnação);
  • B 29 – no sacro, ao nível do 3º forame sacral posterior, 1,5 cun lateral a crista sacral mediana. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano, lombossacralgia e dor ciática;
  • B 30 – no sacro, ao nível do 4º forame sacral posterior, 1,5 cun lateral a crista sacral mediana. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano e consolida o Qi;
  • B 31 – no sacro, no ponto médio da distância entre a espinha ilíaca póstero-superior e a linha média posterior, sobre o 1º orifício póstero-sacral. Função: regula o Aquecedor Inferior, fortalece o Rim e o Jing Essencial, fortalece a região lombar e sacral;
  • B 51 – na região lombar, abaixo do processo espinhoso da 1ª vértebra lombar, 3 cun lateral a linha média posterior. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano;
  • B 52 – na região lombar, abaixo do processo espinhoso da 2ª vértebra lombar, 3 cun lateral a linha média posterior. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano, fortalece o Rim, beneficia o Jing e a lombar;
  • B 57 – na linha média posterior da perna, na metade da distância entre B 40 e B 60, no ponto médio da inserção do ventre do músculo gastrocnêmio. Função: relaxa os músculos e tendões, torna os meridianos fluentes e fortalece a região lombar;
  • B 58 – no aspecto póstero-lateral da perna, sobre a linha vertical que passa por B 60 e 1 cun lateral e inferior a B 57. Função: dissipa calor, vento e umidade, desobstrui o Canal, fortalece o Rim, indicado nos casos de dores e lombalgia isquiática, dor ciática, atrofia e fraqueza nas pernas;
  • B 59 – no aspecto póstero-lateral da perna, sobre a linha vertical que passa por B 60, 3 cun proximal a B 60. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano, beneficia o Yang Qiao e desobstrui o Canal;
  • B 60 – posterior ao maléolo lateral, no meio da distância entre o ápice do maléolo externo e o tendão de Aquiles. Função: desobstrui o Canal, elimina o Vento Interno e Externo, drena Calor-Umidade, fortalece o Rim, move o Sangue, relaxa os músculos e tendões, fortalece a lombar e joelho;
  • B 62 – no aspecto lateral do pé, imediatamente distal ao maléolo externo. Função: relaxam os tendões e músculos, indicado para queixas de mobilidade, indicado para queixas no trajeto do meridiano, dor nos membros inferiores e na lombar;
  • B 67 – no aspecto lateral da falange distal do dedo mínimo, 0,1 cun do ângulo ungueal externo. Função: ponto mais distal indicado para queixas no trajeto do meridiano, elimina o Vento Externo e Interno e desobstrui o Canal.

 

6.3 – Pontos do Meridiano do Vaso Governador

Funções do Canal – comanda e regula o Yang do corpo. Todos os meridianos Yang mandam um vaso secundário para o VG 14, podendo ser tonificado ou sedado. Tem função energética muito importante.

Relação com órgãos internos – rim, bexiga, útero, tubo digestivo, cérebro e coração.

Relação com partes do corpo – ânus, coluna lombar, toráxica e cervical, nuca, crânio, maxilar superior, gengiva e nariz.

Ponto principal:

  • VG 20 – na cabeça, sobre a linha mediana, 5 cun posterior à linha de inserção do cabelo, no meio da linha que liga o ápice das orelhas. Função: ponto de sedação eficaz para casos de dores agudas e emergências.

 

6.4 – Pontos do Meridiano do Estômago

Funções do Canal – febre, suores, delírios, sensibilidade ao frio, dores nos olhos, narinas ressecadas, epistaxe, erupções bolhosas com febre, faringite, inflamação no pescoço, paralisia facial, dor no tórax, dor e distensão ao longo do canal, frio nos membros inferiores, distensão abdominal, plenitude ou edema no abdômen, desconforto ao reclinar, convulsões, fome persistente, urina concentrada.

Função Fu – receber, decompor os alimentos e enviar para o Intestino Delgado.

Ponto principal:

  • E 2 – na face diretamente abaixo da pupila, quando centralizada. Ponto localizado na depressão do forame infra-orbital. Função: relaxa os tendões e alivia a dor.

 

6.5 Pontos do Meridiano da Vesícula Biliar

 

Função Fu – estocar e secretar a bile.

Funções do Canal – processo digestivo, região temporal, mandibular, músculos da mastigação, processos oftalmológicos e reumáticos, patologias disrítmicas do lobo temporal.

  • VB 25 – na margem inferior da extremidade livre da 12ª costela, sobre a linha axilar posterior. Função: fortalece e aquece o Rim, regula a via das águas, relaxa os tendões e músculos, elimina estagnação do Qi e protege a região lombar;
  • VB 29 – no quadril, no meio da linha que liga à espinha ilíaca ântero-posterior à extremidade do trocante maior. Função: indicado para queixas no trajeto do meridiano, lombalgia, dor e dormência no quadril;
  • VB 30 – na lateral da coxa, na união do terço lateral com o terço médio da linha que liga a extremidade do trocanter maior ao hiato sacral, quando o paciente está em decúbito lateral com a coxa flexionada. Função: torna os canais e redes do meridiano fluentes, fortalece a região lombar e os quadris, desobstrui o Canal da Vesícula Biliar e da Bexiga, beneficia a lombar e os membros inferiores, resolve Umidade-Calor, elimina o Vento e o Frio e tonifica o Qi e Xue;
  • VB 37 – na lateral da perna, 5 cun proximal à ponta do maléolo lateral, na borda anterior da fíbula. Função: indicado nos casos de dores e redução de mobilidade;
  • VB 39 – na lateral da perna, 3 cun proximal à ponta do maléolo lateral, na borda anterior da fíbula. Função: nutre o Jing Essencial e a Medula, alivia a dor, extingue o Vento e desobstrui o Canal;
  • VB 40 – anterior e inferior ao maléolo externo, na depressão lateral ao tendão do músculo extensor longo dos dedos dos pés. Função: elimina a estagnação do Qi do Fígado e Vesícula Biliar, tonifica o Qi da Vesícula Biliar, regula o Hun (Alma Etérea), dores, redução da mobilidade e estimula as funções das articulações.

 

  1. A Lombalgia e a Bibliografia

Segundo estudo realizado por Yamamura et al. (1995), com a finalidade de comprovar a eficácia de 30 aplicações de acupuntura no tratamento de 17 pacientes com lombalgia, dor com irradiação para os membros inferiores e lesões ósseas na região lombar da coluna vertebral. Sem indicação cirúrgica. Nos exames pré-tratamento foi avaliada a intensidade da dor apresentada pelos pacientes, assim como dificuldade de andar, de correr e de subir/descer escadas, teste de elevação da perna retificada, dificuldade relatada em permanecer de pé, limitação de flexão, de inclinação lateral e de extensão da região lombar, presença de espasmo dos músculos para-vertebrais e de retração dos músculos posteriores da coxa. Os 17 pacientes apresentaram ao final do tratamento melhora significativa em todos os parâmetros estudados, contudo, num primeiro momento, não alcançaram remissão total do quadro álgico. Porém, ao final do tratamento foi alcançada 78% de eficácia.

Conforme estudo realizado por Witzmann (2000), os três tratamentos prioritários para o tratamento para dor crônica da coluna são a medicina manual, o tratamento terapêutico local com anestésicos e a acupuntura. O autor conclui que, mesmo não sendo a prioridade na escolha dentre aos outros dois tratamentos, a acupuntura alivia a dor e harmoniza os distúrbios físicos e psicológicos.

Estudo piloto prospectivo, não controlado, realizado por Schmitt et al. (2001), verificou os benefícios da acupuntura no tratamento de pacientes com dor lombar e sintomas radiculares. Foram tratados com acupuntura sessenta pacientes com dor lombar, diagnosticados por ressonância magnética e tomografia computadorizada. A intensidade da dor dos pacientes foi medida antes e depois do tratamento em uma escala visual analógica de 100 mm. Os resultados mostraram redução da dor lombar de 59 mm para 19 mm após 3 meses de tratamento. E, entre 3 meses e 1 ano, após o final do tratamento com acupuntura, o índice de pacientes satisfeitos com o tratamento chegava a 88%. Este estudo conclui que a acupuntura é um tratamento não invasivo sem complicações e se constitui como um tratamento promissor para dor lombar.

Um estudo realizador por Kerr, Walsh e Baxter (2001) teve o objetivo de verificar o uso da acupuntura dentro da fisioterapia e obter informações dos pacientes que foram tratados com a técnica. Numa primeira fase retrospectiva foram analisados 599 registros clínicos de pacientes que foram tratados pela clínica de fisioterapia. Esses pacientes foram classificados em 3 categorias: lombalgia, lesões na coluna cervical e torácica e lesões nos tecidos moles das articulações periféricas. Em uma segunda fase, os autores enviaram 200 questionários a pacientes que efetivamente foram tratados com acupuntura. 156 pacientes responderam ao questionário (78%). Dos 156 pacientes que responderam ao questionário, 60% relataram alívio da dor logo após o tratamento com acupuntura, e 31% relataram que ainda estavam livres das dores até o momento que responderam ao questionário. 80% dos questionados relatou tal melhora que lhes permitiu o restabelecimento das atividades domésticas, 94% afirmaram estar “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com o tratamento e 54% relataram melhoras que propiciou volta ao trabalho. Mesmo com resultados satisfatórios, os autores recomendam mais pesquisas para o uso da acupuntura como tratamento para o alívio da dor em patologias crônicas e, em particular, a dor lombar.

Carlsson e Slojund (2001), em seu estudo, tinham por objetivo determinar se o tratamento com acupuntura produzia alívio a longo prazo para a dor lombar. Foram selecionados 33 mulheres e 17 homens (idade média 49,8 anos) sem radiculoterapia ou história pregressa de tratamento com acupuntura. Os pacientes foram divididos em 3 grupos de forma randomizada. Um grupo recebeu acupuntura manual, outro, eletroacupuntura e o terceiro grupo, placebo com falsa estimulação nervosa elétrica transcutânea. Um examinador monitorou e examinou os sintomas sem conhecer qual era o tipo de tratamento aplicado. Um diário foi utilizado pelos pacientes para avaliar a intensidade da dor 2 vezes por dia, a analgesia sentida, a qualidade do sono e o nível de atividade semanal. No primeiro mês, 16 dos 34 pacientes do grupo que receberam acupuntura e 2 dos 16 pacientes do grupo placebo mostraram melhora significante (p < 0,05). No sexto mês, 14 dos 34 pacientes dos grupos de acupuntura e 2 dos 16 pacientes do grupo de placebo mostraram melhora significativa (p < 0,05). Houve uma queda significativa na intensidade da dor entre os meses 1 e 3 nos grupos de acupuntura, em comparação ao grupo placebo. Também foi relatada significativa melhora nos índices de retorno ao trabalho, na qualidade do sono, e na analgesia dos sintomas tratados com acupuntura. Os autores concluíram que há efeito de alívio da dor a longo prazo através do tratamento com acupuntura, quando comparado com o uso de placebo em pacientes com dor lombar crônica.

Molsberger et al. (2002), realizaram um estudo prospectivo com 186 pacientes de um centro de reabilitação com relato de dor lombar com duração maior ou igual a 6 semanas e escala analógica de dor maior ou igual a 50 mm. Os pacientes foram divididos em três grupos paralelos, duplo-cegos. Durante os 3 meses do estudo, os participantes e observadores, não foram informados se a aplicação de acupuntura utilizaria os 500 pontos tradicionais – acupuntura “verdadeira”, ou seriam utilizados pontos de acupuntura fora desses pontos tradicionais, acupuntura “falsa” – pontos não específicos. Os autores levantaram a questão: “A combinação de acupuntura e tratamento ortopédico conservador (TOC), melhoraria um tratamento ortopédico conservador para lombalgia?” Para os 3 grupos foram aplicados 4 semanas de tratamento. Os pacientes foram estratificados em 4 grupos: lombalgia crônica com histórico menor ou igual a 6 meses; de 6 meses a 2 anos; de 2 a 5 anos; maior ou igual a 5 anos. As análises foram realizadas por tipo de tratamento. O grupo 1 recebeu 12 sessões de acupuntura “verdadeira” e TOC. O grupo 2 recebeu 12 sessões de acupuntura “falsa” e TOC. O grupo 3 recebeu apenas TOC. As aplicações de acupuntura, tanto “verdadeira”, quanto a “falsa” foram realizadas em duplo-cego (observador e paciente). Os resultados primários mostraram redução de dor maior ou igual a 50% em VAS (Escala Analógica Visual) e eficácia de tratamento após 3 meses no grupo 1. Não foi verificada nenhuma diferença na realização dos movimentos dos pacientes, nem no consumo do antiinflamatório diclofenaco nos três grupos, entre os períodos pré e pós-tratamento. Os autores concluíram que a acupuntura pode ser um importante complemento ao tratamento ortopédico conservador para o tratamento da lombalgia crônica.

Kerr, Walsh e Baxter (2003) avaliaram a eficácia do tratamento com acupuntura no tratamento da lombalgia. 60 pacientes com lombalgia crônica foram separados em 2 grupos aleatórios. Um grupo recebeu tratamento com acupuntura e o outro grupo recebeu estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS). Por 6 semanas os pacientes foram submetidos a sessões semanais e avaliados no período pré e pós-tratamento por escala visual de dor (VAS), questionário sobre a qualidade de vida, e uma simples avaliação do grau de movimento da coluna. O “Teste t” foi utilizado para a análise dos resultados, que demonstraram melhora nos 2 grupos em todos os parâmetros. Não houve diferença significativa entre os 2 grupos.

Ceccherelli et al. (2003) realizaram um estudo randomizado, controlado, duplo-cego com o objetivo de verificar a eficácia da acupuntura e da reflexoterapia no tratamento da lombalgia e avaliar a possibilidade de o número de sessões de acupuntura ser fator de influência no resultado no tratamento dos pacientes. 31 pacientes com lombalgia foram divididos aleatoriamente em 2 grupos: o primeiro grupo (16 pacientes – 5 homens e 11 mulheres) foi submetido a 5 semanas de tratamento com acupuntura; o segundo grupo (15 pacientes – 4 homens e 11 mulheres) recebeu 10 semanas de sessões de acupuntura. O princípio de tratamento e os pontos utilizados foram idênticos para os 2 grupos. O monitoramento do relato da dor dos pacientes foi realizado diariamente através de uma cartilha graduada, através de um cartão preenchido todos os dias pelo próprio paciente. Foi considerado um bom resultado, ao final da terapia, a dor que fosse registrada entre zero e 50% da dor inicial. Era considerado como insatisfatório um resultado entre 51% e 80% da dor inicial, e acima de 81%, o resultado era considerado ruim. No primeiro grupo, 11 pacientes atingiram o resultado bom, 1 paciente obteve o resultado insatisfatório e para 4 pacientes o resultado foi ruim. A dor remanescente foi de 65,5% da dor original. No segundo grupo, 13 pacientes atingiram um bom resultado, enquanto 2 pacientes tiveram resultado ruim. A dor remanescente 43,9% da dor original. O estudo conclui que 10 sessões de acupuntura apresentaram melhores resultados terapêuticos que 5 sessões para o tratamento da lombalgia.

Um estudo realizado com pacientes idosos com lombalgia crônica tinha por objetivo avaliar a efetividade e segurança da terapia com acupuntura quando associada ao tratamento padrão. Os critérios para inclusão dos pacientes no estudo foram: quadro de lombalgia por período de tempo maior ou igual a 12 semanas e idade maior ou igual a 60 anos. Como critérios de exclusão de pacientes foram relacionados: tumor de coluna vertebral, infecção ou fratura e associação com sintomas neurológicos. Os pacientes participantes foram divididos em 2 grupos. O grupo de estudo foi tratado com acupuntura 2 vezes por semana, durante cinco semanas, incluindo estimulação elétrica. O grupo controle manteve o tratamento usual, conforme orientação médica, incluindo antiinflamatórios não hormonais, mio-relaxantes, administração de paracetamol e exercícios. Após a compilação dos resultados, os autores concluíram que a acupuntura é um tratamento complementar seguro e eficaz para o lombalgia crônica em pacientes idosos (MENG et al., 2003).

Silva et al. (2004) realizaram um artigo comparativo com o objetivo de verificar o uso da acupuntura no tratamento da lombalgia e dor pélvica durante a gravidez e pacientes sob tratamento convencional. Foram realizados testes clínicos randomizados. Participaram do estudo 61 gestantes sob tratamento convencional que foram divididas em 2 grupos, sendo 27 pacientes tratadas com acupuntura e 34 do grupo controle. As pacientes avaliavam a escala da dor que sentiam por meio de uma escala numérica de 0 a 10, além da capacidade para realização de atividades gerais, laborais e de locomoção e o uso de analgésicos. As gestantes foram acompanhadas durante 8 semanas e entrevistadas por 5 vezes, com intervalo de 2 semanas. Houve significante redução (4,8 pontos) no grupo que utilizou acupuntura em comparação a redução de 0,3 pontos do grupo controle. Houve redução média de pelo menos 50% na sensação da dor em 21 pacientes (78%) do grupo tratado com acupuntura; e de apenas 5 pacientes no grupo controle (15%). A dor máxima e a dor no momento da entrevista também foram menores no grupo tratado com acupuntura. A capacidade para realização de atividades gerais, laborais e locomoção também cresceram nas pacientes do grupo tratado com acupuntura. O uso do antiinflamatório paracetamol foi menor no grupo tratado com acupuntura. Os resultados do artigo evidenciaram que a acupuntura parece aliviar a lombalgia e a dor pélvica durante a gravidez, além de aumentar a capacidade para realização de atividades gerais, laborais e locomoção. Demonstraram, também, a possibilidade da diminuição da necessidade no uso de medicamentos durante a gestação; o que se constitui numa grande vantagem.

De acordo com Watanabe (2005), nos casos de lombalgia, além das patologias a desarmonia do corpo e a estagnação do Qi são observadas. Além dos diagnósticos baseados segundo a medicina ocidental, também são utilizados métodos de diagnóstico conforme a medicina oriental. Os pontos de acupuntura e moxa são utilizados. Os meridianos desarmônicos e pontos de estagnação prejudicam a reorganização energética natural. Outros sintomas, além da lombalgia podem ser evidenciados e também podem desaparecer com o tratamento com acupuntura. O autor atribui a harmonização do corpo à eficácia da acupuntura e, conseqüente, melhora dos sintomas.

Manheimer et al. (2005), com objetivo de analisar a eficácia da acupuntura para tratamento da lombalgia, realizaram um meta-estudo por meio de pesquisa nos banco de dados (MEDLINE, COCHRANE CENTRAL, EMBASE, AMED, CHINAHL, CISCOM e GERA) durante o mês de agosto do ano de 2004. Neste estudo foram realizados testes de controle randomizados, comparando o uso da acupuntura com outras técnicas, para pacientes com lombalgias na Universidade e Escola de Medicina de Maryland, em Baltimore, USA. Foram escolhidos 33 estudos que foram subdivididos conforme o tipo de dor, técnica de acupuntura e tipo de grupo controle utilizado. Foi evidenciado que a curto prazo, com o uso da acupuntura, houve alívio da dor lombar crônica, e extremamente eficaz quando comparado aos tratamentos com placebo e aos não-tratamentos. Os dados foram inconclusivos para os pacientes com lombalgia aguda. A quantidade e qualidade da metodologia dos testes foram fatores limitantes do estudo. Os autores concluíram que a acupuntura é eficaz para o alívio da lombalgia crônica.

Mehret et al. (2010), realizaram um estudo comparativo entre as técnicas de acupuntura auricular, craneoacupuntura de Yamamoto, eletroacupuntura e cinésioterapia para o tratamento de lombalgia crônica. Foram selecionados 24 indivíduos com idade entre 30 e 60 anos, independente da ocupação, que apresentassem como diagnóstico médico de lombalgia crônica por um período superior a três meses e inferior a um ano. Foram excluídos indivíduos com lombalgia aguda e de origem traumática, lombociatalgias, indivíduos submetidos a cirurgias na região lombar, doenças de pele próximo ao local da aplicação das agulhas, que fizessem uso de medicamento analgésico ou anti-inflamatórios e, no caso da craneoacupuntura de Yamamoto, foram excluídos pacientes com hipertensão arterial sistêmica, cardíacos e portadores de marca-passo. Os 24 pacientes foram divididos randomizadamente em 4 grupos de 6 pessoas cada. Os tratamentos foram realizados entre Janeiro e Julho do ano de 2008. O grupo A realizou tratamento fisioterapêutico e 5 sessões de acupuntura auricular no decorrer de todo tratamento usando os pontos Shen Men, Rim, Simpático, analgesia, adrenal, vértebras lombares, relaxamento muscular e ansiedade 1 e 2. O grupo B realizou tratamento fisioterapêutico e craneoacupuntura de Yamamoto 1 vez por semana completando 5 aplicações durante todo o tratamento. O grupo C realizou tratamento fisioterapêutico e eletroacupuntura 1 vez por semana completando 5 aplicações durante todo o tratamento. O grupo D realizou somente tratamento fisioterapêutico com cinésioterapia ativa por 10 sessões. Os voluntários dos 4 grupos foram avaliados seguindo a escala visual analógica (EVA), antes do início e após o tratamento. E a eles foi entregue o Questionário de Oswestry que definiu o grau de independência funcional dos voluntários. Os resultados obtidos denotam melhora significativa das terapias que envolveram acupuntura auricular, craneoacupuntura de Yamamoto e eletroacupuntura em comparação ao procedimento fisioterapêutico.

 

 

  1. Conclusão

 

São diversas as indicações da acupuntura para tratamento de patologias e desarmonias, principalmente quando essas desarmonias incluem dor advinda de patologias agudas ou crônicas e que interferem na qualidade de vida das pessoas. Assim, por tratar os pacientes de forma integral e harmônica, a acupuntura tem se mostrado cada vez mais eficiente e reconhecida como forma de tratamento.

A análise dos 13 artigos apresentados neste estudo evidencia que a acupuntura é um tratamento seguro e eficaz para terapia dos pacientes acometidos por lombalgia aguda ou crônica. Nestes 13 artigos, mesmo apresentando diversas populações, detalhamento insuficiente de procedimentos e diversidade de metodologias, os artigos analisados apontam para um futuro de perspectivas positivas para o tratamento da lombalgia com acupuntura.

É possível concluir que, dentre os 13 artigos abordados, há evidências que a utilização da acupuntura apresenta eficácia no tratamento das lombalgias, melhora na sensação de bem-estar, melhora na qualidade do sono, relaxamento global, diminuição da administração de medicamentos e nenhum efeito adverso ou contra-indicação.

 

 

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